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Rory Gallagher

Postado por Renan Tambarussi quinta-feira, 25 de abril de 2013 0 comentários


Nascido em 1948 na Irlanda, Rory Gallagher foi um dos guitarristas mais expressivos e talentosos da história do Rock. Dono de uma voz marcante e um timbre fantástico na guitarra, lançou em 1971 seu primeiro álbum solo, alcançando um status muito bom no cenário roqueiro da época. Eu já ouvi muita coisa boa do músico, mas nenhum outro disco me tocou tanto como Tattoo  de 1973, nem mesmo o épico Irish Tour 74

Influência óbvia do Blues, Gallagher sem dúvidas foi um dos guitarristas que mais bem representou o Blues - Rock. Com seu jeito louco de tocar, sua Fender Stratocaster sentia cada nota tocada, cada vibrato, bend e grito que seus fãs davam, o êxtase de ver em palco uma lenda. 

Depois de 16 álbuns gravados e o nome na história, Rory Gallagher faleceu em 14 de junho de 1995 por uma infecção hospitalar.


Ouça esse clássico incrível :

Algumas injustiças no Rock e Blues

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 16 de abril de 2013 0 comentários



"Muddy Waters e os Rolling Stones em concerto, together."

  Se você não curte Blues, eu espero sinceramente que um pentagrama de fogo vindo direto de "Doom 3" apareça ao seu lado agora, e com ele um demônio encarnado em um cadáver de bebê te leve para o inferno. Mas que antes disso você possa ler todo o post.

 Brincadeiras à parte, a intenção de hoje é dizer que se não fosse pelos negros, o rock and roll teria se tornado rock mais cedo ainda. Não, eu não quis ser preconceituoso. Na verdade eu quis evidenciar uma período que realmente aconteceu nos Estados Unidos. O período das leis Jim Crow, que começaram nos idos de 1876 até 1965, e que segregavam e limitavam a vida de negros, asiáticos e alguns outros grupos. Nesse contexto nasce o Blues. Obviamente que as origens relatadas são da África, mas não é minha intenção aqui descrever históricamente o desenvolvimento do Blues, mas sim desenvolver uma retórica com base no que li dia desses: "A primeira vez que uma mulher tirou a calcinha e a jogou em um palco foi por causa de um cara negro que cantava blues. Quando uma garota branca jogou sua calcinha no palco, chamaram isso de 'rock'n'roll " Não tenho muita certeza, mas acho que essa colocação foi do Willie Dixon. 

Pegaram? Se não fosse pelos estigmas criados e propagados pelas leis Jim Crow, Chuck Berry seria o Rei do rock e não Elvis Presley, afinal, foi Chuck quem primeiro apresentou aquele material inovador com canções como "Little Queenie" e "Johnny B. Goode". Há também o fato curioso de a banda Beach Boys terem usado uma música de Sr. Berry com uma outra letra. É possível observar em "Surfin' – USA" dos Boys completamente "Sweet Little Sixteen " do Berry. 

Quem seria Rolling Stones no inicio de carreira perto de Muddy Waters? Arrisco ser até mais inconsequente ao dizer que, talvez, nem mudariam o nome para rock n' roll. Já pensaram nisso?

"Ahh vida injusta!"

Até mesmo o Led Zeppelin com "Bring it Home", "The Lemon Song" e "Whole Lotta Love" (esta última foi um plagio de "You Need Love" do Willie Dixon). Bom, o Zeppelin negou todos os plágios, porém, mesmo assim aceitaram pagar os direitos autorais aos devidos autores.

Pode ser que essa estrutura músical finita do Blues e do Rock seja complacente com plágios, uma vez que, em algum momento, não dá pra se inventar muita coisa nova. E a questão de referenciação e influências podem levar ao equivoco de se ter cometido um plágio. Mas não se pode negar o peso que as leis Jim Crow tiveram na determinação do curso dos papéis atribuídos aos nossos antigos ídolos.

Buddy Guy - 2010 - Living Proof

Postado por Renan Tambarussi segunda-feira, 16 de maio de 2011 1 comentários

Tamanha foi minha surpresa quando, vagando pelos becos sujos da boa música na internet, descobri que o nosso mestre e mago do Blues, Buddy Guy, havia lançado um álbum novo no ano passado. Simplesmente ridículo eu não ter ficado sabendo antes, e devo pedir perdão por isso.

Mas fui atrás, claro.
E amigos, devo dizer que não é nada menos que magnífico. Living Proof é uma amostra de paixão musical, colhões e força da idade e da experiência, tudo isso misturado ao som matador de uma Fender Stratocaster muito bem temperada, pentatônicas cheias de melodia. É o velho Guy mostrando a todos que o Old School do Blues ainda está aí, chutando bundas torrencialmente.

Destaques?
Tudo.

74 Years Young, com sua intro em violão, com um slide muito bem colocado, dá um ar de poeira e calor ao som. Mas o máximo do som vem com o solo. Matador é pouco. É como se a música fosse um vulcão, e entrasse em erupção na primeira no momento em que a Strato do velho Buddy grita num bend imundo. Essa faixa é excepcional!

On The Road é uma faixa muito bem produzida. Apresenta um cuidado especial com os detalhes. Reparem no bumbo com a pele frouxa na intro, e o trampo dos metais de sopro. O solo desta aqui também é estonteante. Uma música cheia de clima, para entrar no velho Cadillac e sair por aí. They see me rollin', mothafucker!

Stay Around A Little Longer, com o mestre B. B. King, é uma múscia belíssima, daquele tipo de Blues realmente melancólico. Tudo bem que a letra é mais uma daquelas que músicos velhos fazem sobre estarem velhos, mas mesmo assim a música é cheia de magia.

E outra participação que deixou esse disco com um brilho especial, foi Santana na música Where The Blues Begins. Basta ouvir os primeiros acordes da canção para saber que esta é diferente, com todo o gingado latino-americano do guitarrista mexicano. Seus licks e inconfundíveis e o timbre levemente mais encorpado de sua guitarra se fundem com a voz e de Buddy de um jeito todo especial. É uma canção muito boa de se ouvir num momento de fossa.

Esses são apenas alguns destaques, mas o álbum todo é repleto de fatores que o tornam mais do que atraente. Eu, que sou fã do Buddy Guy, considerei seu penúltimo álbum, Skin Deep de 2008, um item espetacular em sua discografia, uma cereja no topo do bolo, Living Proof me deixou ainda mais impresisonado.

Um álbum para curtir bebendo uma dose de whisky e fumando um charuto.



Álbum: Living Proof
Ano: 2010
Faixas:
01 74 Years Young
02. Thank Me Someday
03. On The Road
04. Stay Around A Little Longer (feat. B.B. King)
05. Key Don't Fit
06. Living Proof
07. Where The Blues Begins (feat. Carlos Santana)
08. Too Soon
09. Every Got To Go
10. Let The Door Knob Hit Ya
11. Guess What
12. Skanky

Clipe da Semana ( Jeff Beck - People Get Ready )

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 12 de abril de 2011 0 comentários

Hoje o Clipe da Semana vai ser duplo, mas vamos começar com o Blues em sua melhor forma. Jeff Beck e Rod Stewart na clássica People Get Ready.

Uma guitarra fulminante do mestre Beck com a ótima voz de Rod. E deixando esse clássico não percam de acompanhar nossa nova série.



Mesmo não sendo o foco principal do Clipe da Semana exibir dois vídeos, hoje vamos fazer uma homenagem em nome de todos da Comissão do Rock as crianças que morreram tragicamente no Colégio Tassio de Oliveira situado no Rio de Janeiro. Apesar de tarde, aqui vai nossa homenagem.




LUTO /

As várias faces do Rock - Blues

Postado por Renan Tambarussi segunda-feira, 11 de abril de 2011 3 comentários

Olá amigos da Comissão,


Hoje iremos lançar uma nova série aqui na Comissão do Rock, que irá se chamar As Várias Faces do Rock.  Nela, iremos falar sobre os principais estilos musicais que deram origem ao Rock'N Roll que nós conhecemos hoje, contando a história, e as vários detalhes e curiosidades dessas vertentes musicais




A característicva do blues é o estilo cadenciado da melodia, que é cantada e tocada numa frequência baixa, com fins expressivos, graves, evitando escalas mais altas, numa estrutura bastante repetitiva.


O Blues foi um estilo musical que tem raízes africanas e que tinha o costume de ser passado de geração para geração entre as famílias locais. Nos Estados Unidos ele esteve sempre associado ao movimento negro, à cultura afro-americana, oriunda da região sul do país (Alabama, Mississipi, Louisiana e Geórgia). Antigamente, os escravos das plantações de algodão se recolhiam em um canto para tocar o que eles chamavam de blues, que era um tipo de música que eles tinham para desabafar, exteriorizar sobre suas intermináveis jornadas de trabalho, sobre o sofrimento do escravo da época, além de falar sobre outros temas como religião, amor, sexo e traição. O blues também está presente em cântigos de fé religiosa chamada spirituals, também nos Estados Unidos.



Com os escravos levados para a América do Norte no início do século XIX, a música africana se moldou no ambiente frio e doloroso da vida nas plantações de algodão. Porém o conceito de "blues" só se tornou conhecido após o término da Guerra Civil quando sua essência passou a ser como um meio de descrever o estado de espírito da população afro-americana. Era um modo mais pessoal e melancólico de expressar seus sofrimentos, angústias e tristezas. A cena, que acabou por tornar-se típica nas plantações do delta do Mississippi, era a legião de negros, trabalhando de forma desgastante, sobre o embalo dos cantos, os "blues".


As raízes "bluesianas"


Existem várias versões para o surgimento da primeira canção e composição do blues. Umas das probabilidades é a de que o autoproclamado "Pai do Blues" W. C. Handy ouviu pela primeira vez esse tipo de música em 1903 em uma viagem de trem clandestina, observando um homem tocando violão com um canivete. Essa é uma das lendas que tenta explicar o surgimento do primeiro blues da história, porém é mais correto afirmar é que o blues surgiu de uma forma mais ambiental e progressiva, do que somente uma única canção apenas. De fato, a instrumentalização das work songs (canções de trabalho) foi o marco inicial para o surgimento do blues como estilo de música.

W.C Handy, o pai do blues
O primeiro nome popular a surgir como músico específico de blues foi o de Charley Patton, em meados da década de 20. Posteriormente, na mesma época, surgiram nomes como de Son HouseWillie Brown, Leroy CarrBo CarterSylvester WeaverBlind Willie JohnsonTommy Johnson entre outros. A princípio, a maioria das canções interpretadas eram cantos tradicionais como Catfish Blues e John The Revelator, canções essas que tiveram vários intérpretes e versões variadas no decorrer da história. Porém, foi na década de 30 que surgiu aquele que é talvez o nome mais influente e idolatrado do blues: Robert Johnson. Influenciado sobretudo por Son House e Willie Brown, Johnson viveu pouco tempo, cerca de 27 anos, sendo que a sua data de nascimento não é totalmente precisa. Vitimado, segundo a lenda, por um whisky envenenado pelo marido de uma de suas amantes. Gravou 29 canções apenas, entre 1936 e 1937, porém consideradas alguns dos maiores clássicos de blues de todos os tempos.


T-Bone Walker
No final dos anos 30 e inícios dos 40 surgiram as primeiras grandes bandas de blues, de Sonny Boy Williamson e Big Bill Broonzy. E a partir de 1942 o blues sofre sua primeira grande "revolução" interna com o soar das primeiras notas eletrificadas do lendário guitarrista T-Bone Walker. Certamente é deste nome que remonta as origens do formato consagrado do blues moderno, baseado na repetição 12 compassos da melodia base e com o solo totalmente livre do acompanhamento, (ou seja, o puro improviso) o que não ocorria até então já que o solista era na maioria dos casos também o responsável pelo parte rítmica instrumental. O que certamente tornou possível a T-Bone Walker ser o precursor do estilo clássico moderno do blues foram suas raízes no Jazz, que posteriormente imortalizariam a marca de seu Blues. Com a explosão do blues em Chicago e o advento da eletricidade na música, o blues atingiu um patamar novo, deixando de ser restrito a um pequeno grupo, para se tornar cultura popular no sul dos Estados Unidos.


O blues de Chicago:

Em meados dos anos 40, começa um período intenso de migração do delta do Mississippi para Chicago, que já ocorria há alguns anos, porém de forma mais escassa. A população negra do sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida que lá encontravam, viram em Chicago um lugar para novas oportunidades. Os músicos de Blues que, por essa época, chegavam em grande número a Chicago, encontraram a eletricidade na música, o que possibilitou uma gama enorme de novas possibilidades e os permitiu alçarem vôos mais altos com sua música. Talvez o grande nome dessa nova fase tenha sido o de Muddy Waters, o primeiro a eletrificar todos os instrumentos de sua banda. 


Com seu blues carregado, poderoso e intenso, Muddy Waters é talvez, junto com Robert Johnson, a figura mais influente e popular do blues americano, sendo o primeiro bluesman a ter seu nome reconhecido fora dos Estados Unidos, sobretudo na Inglaterra, onde influenciaria posteriormente o surgimento de diversas bandas importantes como The BeatlesYardbirds e The Rolling Stones. Essa última inclusive teve seu nome baseado em uma música de Muddy Waters, Rollin' Stone. Waters compôs e/ou interpretou inúmeros clássicos máximos do blues comoBaby Please Don't GoI Can't Be SatisfiedHoney Bee e Hoochie Coochie Man, entre muitas outras. Sua importância no desenvolvimento do blues como gênero dominante no cenário mundial é tão grande que é necessário um capítulo à parte para descrever toda a sua obra.


Muddy Waters, o Mussum de Chicago




Outro grandioso nome do blues surgido nesse período foi o de Willie Dixon. Um dos poucos baixistas líder de banda do Blues, Dixon é considerado o "poeta do blues", já que suas letras se tornaram hinos da cultura bluesística. Sem dúvida é o mais importante compositor da segunda geração do blues. É dele a composição de um dos maiores clássicos, Hoochie Coochie Man, que se tornou famosa na versão de Muddy Waters. Entre outros clássicos estão You Shock MeI Can't Quit You BabyLittle Red Hooster (composição em parceria com Howlin' Wolf), Spoonful e Back Door Man .


Não menos importante foi o nome de Howlin' Wolf. Guitarrista e gaitista de origem, ficou famoso por sua voz rouca e de um blues bastantes wingado. Definiu um estilo impossível de não ser reconhecido, que influenciaria de forma marcante posteriormente músicos como Eric ClaptonJeff Beck e Stevie Ray Vaughan. Suas parcerias com Willie Dixon renderam verdadeiras obras primas, além de composições conjuntas. Destaques para The Little Red Rooster e Howlin' For My Baby.


A guitarra elétrica se tornou unanimidade absoluta no blues, nesse período, porém nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central do blues quanto B.B. King. Influenciado diretamente por T-Bone Walker, outro virtuose da guitarra solo, B.B. King criou um estilo único e quase inigualável de frasear o instrumento, de forma pura e melódica como poucos conseguem. O seu vibrato tornou-se marca registrada, dando aos solos de guitarra uma forma quase verbal. Sem falar de seu vocal-tenor que muitas vezes se destacava mais que o próprio instrumento. Influenciando praticamente todos os guitarristas que vieram posteriormente, é classificado, merecidamente, como o "rei do blues". De fato, blues e B.B. King hoje são termos quase inseparáveis.


Inevitável não citar a figura de John Lee Hooker, que se identificaria posteriormente pelo seu Booggie, e seu estilo falado de cantar, que se tornaria sua marca registrada. Porém sua importância no blues vai muito mais além do que apenas uma vertente adjunta. Além de ter sido um dos primeiros a eletrificar a guitarra no blues, John Lee Hooker foi o percursor do Blues de Chicago, antes mesmo de Muddy Waters ganhar renome e importância, e suas obras foram de total referência na estilo Rock que estava nascendo.

Os anos 60 e o blues britânico



Um dos momentos mais marcantes do blues foi a apresentação de Muddy Waters em Londres no início dos anos 50. Foi um marco, pois dali em diante o blues ganharia renome internacional e influenciaria o surgimento de novas vertentes musicais, especialmente o rock n' roll. Logicamente Chuck Berry é indiscutível como iniciador do modelo rock, porém sua origem é absoluta no blues, ainda mais na música de Waters. Mas foi o reconhecimento do blues na Inglaterra nos anos 50 que alavancaria o nascimento de uma revolução na história da música ocidental. E foi da fusão do blues, com essa nova vertente, o rock, que nasceria o gênero que marcaria em essência toda a nova geração de músicos que surgia no cenário mundial. Era o blues-rock. Bandas como Rolling StonesYardbirds e mais posteriormente CreamFleetwood MacJeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues elétrico de Chicago. Talvez o grupo de maior importância no recém surgido cenário blues britânico tenha sido John Mayall and the Bluesbreakers, que além de ter grande influência no crescimento do blues dentro do país, foi a banda-alçapão de músicos que viriam a se tornar importantíssimos nesse cenário musical em ascensão, como Eric Clapton, que posteriormente viria a formar o Cream, Peter Green que sairia do grupo para ser líder e compositor do Fleetwood Mac, e Mick Taylor, que seria requisitado como guitarrista dos Rolling Stones.
E, com o reconhecimento mundial desses músicos, os nomes clássicos do folk-blues americano como Robert JohnsonSon HouseMuddy WatersHowlin' Wolf e B.B. King passaram a ser referências diretas. Foi no Newport Folk festival de 1963 que o blues teve seu auge, com a apresentação de diversas figuras consagradas do estilo. Daí em diante praticamente todos os músicos dos mais diversos estilos provenientes do rock e blues regravaram clássicos antigos. O Led Zeppelin, em seu primeiro álbum gravou uma série de composições de Willie Dixon, porém incluindo como autoria própria, o que resultaria em uma batalha judicial, que obrigaria a banda a identificar Dixon como autor original.





Na América, os efeitos foram diretos, e músicos como Creedence Clearwater RevivalThe DoorsBob Dylan e Jimi Hendrix desenvolveram seus estilos próprios fundamentados nas raízes do blues. Internamente, nomes como Albert King, Freddie King e Buddy Guy, iniciaram uma mudança na sonoridade do blues, juntando elementos típicos do rock, a guitarra distorcida e pesada, com o som tradicional, o que levaria alguns puristas a rejeitarem essa nova "moda" que contrariava o purismo tradicional da música.

O renascimento nos anos 80


Durante os anos 70, o blues, como forma predominante de influência musical, que havia influenciado o surgimento de diversas outras tendências, ia perdendo espaço cada vez mais para os elementos eletrônicos e especialmente da era disco. Até meados dos anos 80 o blues quase inexistia como estilo musical. As aparições dos músicos clássicos de Chicago eram cada vez mais esporádicas, e a própria nova moda rejeitava a sua tendência não comercial contrastante com a fase "Dancing" dos anos 80. Porém foi com o guitarrista texano Stevie Ray Vaughan, que o blues ganhou novas forças. Virtuoso e intenso ao tocar, Vaughan trouxe à tona um estilo até então adormecido, regravando clássicos e criando uma marca própria, unindo elementos típicos do blues de Chicago de Albert King, B.B. King e Howlin' Wolf, com o virtuosismo de Jimi Hendrix. Medalhões apagados como B.B. King, Eric Clapton e outros voltavam a ser referências, e Vaughan foi o responsável por essa nova fase. Vaughan gravou quatro álbuns de estúdio, e neles estão composições que se tornaram referências ao blues e suas vertentes. Suas interpretações variavam do blues tradicional (Pride and JoyTexas Flood), ao cool jazz (Stang's SwangRiviera Paradise), passando por soul music (Life Without You), funk rock (Could't Stand't The Weather) eshuffle (Rude Mood). Após a sua morte prematura em 1990, o blues nunca mais teve a mesma força e influênca que teve em tempos passados, e por isso seu nome é lembrado como um verdadeiro herói na história do blues. Coincidentemente ou não, o desaparecimento gradativo do blues no cenário mundial nos anos 90,

Stevie Ray Vaughan, o herói do blues

FONTE: WIKIPEDIA

Músicos de Sucesso - Eric Clapton

Postado por Renan Tambarussi domingo, 30 de janeiro de 2011 0 comentários

Deus.
Para muitos é o que esse sujeito é.
Deus da guitarra.
Convicções religiosas e musicais a parte, é fato verdadeiro que Eric Clapton é um mestre nas seis cordas, um sujeito feito inteiramente de Blues.

Mesmo que seu estilo musical tenha variado algumas vezes durante a carreira, o bom mesmo, o sumo, a nódoa é o Blues, o bom e velho Blues. Em diversos momentos de sua variada carreira, Clapton foi considerado inovador, o que fez com que ele fosse aclamado pela crítica especializada e também pelo público.
Entre seus maiores sucessos estão Layla, Sunshine Of Your Love e Cocaine.

História
Eric Patrick Clapton nasceu em 30 de março de 1945, em Ripley, na Inglaterra.
Com uma infância marcada por traumas (aos 9 anos de idade descobriu que sua verdadeira mãe era a mulher que ele acreditava ser sua irmã, uma loucura!), ao 13 anos o pequenino Eric ganhou seu primeiro violão. Se lascando um pouco para aprender a dominar as cordas do instrumentos, o rapazinho consegui aprender seus primeiros acordes inspirado em antigas músicas de Blues.
Após terminar os estudos básicos e passar um tempo na Kingston School of Art, em 1963 Clapton ingresosu em uma banda chamada The Roosters, que chegou a fazer algumas apresentações. Até que, ainda neste ano, ele ingressou em uma banda chamada Yardbirds.

Os Yardbirds já estavam crescendo na época, e seu empresário tinha um bar, cuja banda residente na noites de domingo era os Rolling Stones!
Foi o nosso grande companheiro, o Tio Keith Richards, quem deu o toque no Clapton, e disse que o guita do Yardbirds estava largando os bets e ia sair da banda. E lá pulou o jovem Eric, começando a criar seu nome no mundo da música.
Até que os Yardbirds começaram a mudar seu estilo, descambando para algo diferente do Blues, e Clapton não curtiu, e saiu fora em 1965. Vale lembrar que o Yardbirds continuou com outros dois monstros na guiatarra, Jimmy Page e Jaff Beck. Depois de um tempo vagando, ele arrumou emprego na John Mayall & the Bluesbreakers. Foi ali que ele ficou realmente famoso como músico de Blues. Foi nesta época em que os pichadores de Londres espalhavam o "Clapton Is God" pelos muros de Londres.

Eis então, meus amigos, que em 1966 Eric saiu dos Bluesbreakers para formar o primeiro power trio do Rock N' Roll, com Jack Bruce e Ginger Baker. Este é o Cream!
Foi aí que ele começou a se firmar também como vocalista.
Mas como rapadura é doce mas não é mole, e músico é uma raça desgraçada (eu sei porque também o sou. Amador mas sou), o Cream acabou por causa de brigas internas. Mas pelo menos deixou aí um legado fundamental na vida de qualquer um que seja fã de Rock.
Em seu álbum de despedida, temos a versão de estúdio da incrível Badge. Esta faixa me dá arrepios. Foi composta em parceria com George Harrison.

E da amizade entre os doissurgiu a participação de Clapton em While My Guitar Gently Weeps, do White Album dos Beatles.
E daí também sugiu o sucesso Layla. Mas de um jeito comlpicado. Pattie Harrison, esposa de George, sofria com o abandono do marido, que preferia gastar o tempo com a cultura hindu (uma das muitas viagens erradas da truma dos Beatles). Eric se apaixonou por Pattie. E de seu sofrimento surgiu Layla, umas das canções de amor mais belas e poderosas do Rock N' Roll.

Em 1969 Clapton aumentou sua fama com o supergrupo Blind Faith. Mas apesar disso tudo, o cara estava de saco cheio de toda a mídia falando de seu nome aqui e acolá, e resolveu dar um tempo. Excursionou um pouco com o Delaney and Bonnie and Friends, meio mocado, na dele. Até que Delaney Bramlett, felizmente, o convenceu a voltar a compor! Alegria!

Contando com a banda de Bramletts como banda de apoio, Eric Clapton presenteou o mundo com seu primeiro álbum solo, que conta com os clássicos Let It Rain, After Midnight e Easy Now. Sua intenção era se livrar um pouco do bafafá da mídia, e mostrar que ele estava simplesmente no mesmo patamar que os outros músicos da banda. Foi assim que surgiu o Derek and the Dominoes, com Bobby Whitlock, Carl Radle e Jim Gordon.
Do trabalho de estúdio com o produtor Tom Dowd surgiu o disco Layla and Other Assorted Love Songs, uma obra-prima da carreira de Clapton.
Muitos problemas sérios marcaram o fim do Dominoes, incluindo brigas entre Clapton e Whitlock e excesso de drogas e álcool.

Aí veio o hiato na careira. Eric parou de se apresentar e de tocar e se viciou em heroína.
E com a ajuda de Harrison e de Pete Townshend, do The Who, ele conseguiu se limpar um pouco. Em 1975 saiu em turnê pelo mundo, o que resultou no magnífico E.C. Was Here.
Também temos que lembrar de 461 Ocean Boulevard, no qual regravou I Shot The Sheriff, e foi responsável por apresentar o Raggae e Bob Marley ao mundo.

Mas o fim dos anos 70 foi cheio de azar para Clapton. Sua fama ficou manchada por acusações de racismo devido às suas convicções políticas. E por causa da dificuldade em se firmar no mundo da música pop da época, Clapton caiu no álcool. Depois de ser hospitalizado e passar por maus bocados algumas vezes, ele criou o famoso Crossroads Center, centro de reabilitação existente até hoje. E foi daí que surgiu o grande Crossroads Guitar Festival, que arrecada fundos para ajudar no tratamento dos dependentes de drogas.

E no início da década de 90, Eric ainda passou por mais uma tragédia, quando no dia 27 de agosto de 1990, o grande Stevie Ray Vaughan (meu guitarrista favorito), faleceu em um acidente de helicóptero durante uma turnê que os dois faziam juntos. E não parou por aí!  No ano seguinte, em 20 de março de 1991, Conor, filho de quatro anos de Clapton com a modelo italiana Lori Del Santo, morreu depois de cair da janela de um apartamento. Foi daí que surgiu o clássico mais que belo Tears In Heaven.

E veio a ressureissão! Clapton ganhou um Grammy com o  MTV Unplugged. Sucesso com From The Cradle e parcerias bem sucedidas com Carlos Santana encerraram a década de 90 com chave de ouro.

Os anos 2000 seguiram suaves para Eric, e nos trouxe bons discos, como o Reptile, Riding With the King (com B.B. King), e One More Car, One More Rider, um live de tirar o fôlego!
Em 3 de novembro de 2004, Clapton é condecorado com o título de Comandante da Ordem do Império Britânico. No ano passado fomos agraciados com o fabuloso Clapton.

Discografia
A discografia do grande Eric Clapton é tão grande quanto seu talento.
Recomendo qualquer álbum. O sujeito é um mestre, e monstruoso com sua guitarra! Ouçam as voz e a habilidade do deus Slowhand!
  • 1963 Sonny Boy Williamson and The Yardbirds (com Yardbirds)
  • 1964 Five Live Yardbirds (com Yardbirds)
  • 1965 For your love (com Yardbirds - coletânea americana)
  • 1965 Having a Rave Up (com Yardbirds - coletânea americana)
  • 1966 Bluesbreakers with Eric Clapton (The Beano) (com John Mayall and The Bluesbreakers)
  • 1966 Fresh Cream (com Cream)
  • 1967 Disraeli Gears (com Cream)
  • 1968 Wheels of Fire (com Cream)
  • 1969 Goodbye Cream (com Cream)
  • 1969 Blind Faith (com Blind Faith)
  • 1969 Best of Cream (com Cream - coletânea)
  • 1970 On Tour with Eric Clapton (com Delaney, Bonnie & Friends)
  • 1970 Live Cream (com Cream - coletânea ao vivo)
  • 1970 Eric Clapton
  • 1970 Layla and Other Assorted Love Songs (com Derek and the Dominos)
  • 1971 The Yardbirds Featuring Performances by: Jeff Beck, Eric Clapton, and Jimmy Page (com Yardbirds - coletânea)
  • 1972 Live Cream Volume II (com Cream - coletânea ao vivo)
  • 1972 Heavy Cream (com Cream - coletânea)
  • 1972 History of Eric Clapton (coletânea)
  • 1972 Eric Clapton at His Best (coletânea)
  • 1973 In Concert (com Derek and the Dominos) (ao vivo em 1970)
  • 1973 Clapton (coletânea)
  • 1973 Eric Clapton's Rainbow Concert (ao vivo em 1972)
  • 1974 461 Ocean Boulevard
  • 1975 There's One in Every Crowd
  • 1975 E.C. Was Here (ao vivo em 1975)
  • 1976 No Reason to Cry
  • 1977 Slowhand
  • 1978 Backless
  • 1980 Just One Night (duplo; ao vivo em 1979)
  • 1981 Another Ticket
  • 1982 Time Pieces: Best Of Eric Clapton (1970-1978)
  • 1983 Money and Cigarettes
  • 1984 Too Much Monkey Business
  • 1984 Backtrackin'
  • 1985 Behind the Sun
  • 1986 August
  • 1987 The Cream of Eric Clapton
  • 1988 Crossroads (caixa)
  • 1989 Homeboy
  • 1989 Journeyman
  • 1990 The Layla Sessions (com Derek and the Dominos) (caixa em comemoração aos 20 anos de lançamento)
  • 1991 24 Nights (ao vivo em 1990)
  • 1992 Rush
  • 1992 Unplugged (ao vivo em 1992)
  • 1994 From the Cradle
  • 1994 Live at the Fillmore (com Derek and the Dominos) (ao vivo em 1973)
  • 1995 The Cream of Clapton
  • 1996 Crossroads 2: Live in the Seventies (CD quádruplo, gravações ao vivo de 1974 a 1978)
  • 1998 Pilgrim
  • 1999 The Blues (álbum duplo)
  • 1999 Clapton Chronicles: The Best of Eric Clapton
  • 2000 Riding With the King (com B.B. King)
  • 2001 Reptile
  • 2002 One More Car, One More Rider (ao vivo em 2001)
  • 2004 Me and Mr. Johnson (versões de músicas de Robert Johnson)
  • 2005 Back Home (álbum de estúdio)
  • 2006 Road To Escondido" (álbum gravado com JJ Cale)
  • 2007 Complete Clapton
  • 2009 Eric Clapton and Steve Winwood (Live from Madson Square Garden)
  • 2010 Eric Clapton Clapton (2010)
Fontes
Wikipedia: Eric Clapton (português)
Wikipedia: Eric Clapton (inglês)
Eric Clpaton - The Unofficial Website


O Blues Brasileiro e Celso Blues Boy

Postado por Renan Tambarussi quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 1 comentários



Não são muitos os artistas que podem se gabar de ter criado uma linguagem musical. Robert Johnson, Frank Sinatra, Chuck Berry, Elvis, Hendrix, Marvin Gaye, Miles Davis, os Beatles, Kraftwerk, Black Sabbath, Ramones, o Faith No More - a lista não avança muito a partir daí. Nesse seleto grupo de excepcionais, Celso Blues Boy arruma uma vaguinha por ter dado um sotaque brasileiro ao blues, um gênero americano (ou africano, em suas raízes mais profundas) por excelência, e com ele feito sucesso avassalador ao ponto de ser, ao mesmo tempo, lenda, ídolo e referência, ainda mais quando o papo recai sobre aquele instrumento de seis cordas chamado guitarra.

Nascido Celso Ricardo Furtado de Carvalho, Celso Blues Boy , escolheu o nome artístico em homenagem ao ídolo B.B. King, um dos pais do gênero, com quem também tocou na década de 80.
Celso foi o pioneiro ao cantar blues em português. Erro seria desprezar sua contribuição para a música brasileira. Os gringos o reconheceram: a revista Backstage colocou Celso entre os 20 maiores guitarristas da história; BB King, expressão máxima do blues, o reverenciou ao dividir palcos e estúdio com ele e o convidar para fazer carreira nos EUA; tocou no célebre Festival de Montreaux, na Suíça; The Commitments, a banda do filme cult de Alan Parker, chamou Blues Boy para se integrar a ela (e ele gentilmente recusou). Se Celso não foi alçado ao mesmo patamar glorioso de Tom Jobim, João Gilberto, Caetano Veloso e outras sumidades nacionais, não cabe aqui buscar explicações.

Fato é que Celso vem fazendo história desde a metade dos anos 70. Com apenas 17 anos, por exemplo, integrou o grupo de Raul Seixas. Acompanhou uma penca de veneráveis nomes da MPB (Renato e Seus Blue Caps, Sá & Guarabira, Luiz Melodia...) e arregimentou fãs ao empunhar a guitarra nas bandas Legião Estrangeira e Aero Blues, considerado o primeiro grupo de blues do Brasil e dono de performances memoráveis na lendária casa de shows Apa Loosa, no Rio de Janeiro.
Suas músicas são de uma qualidade extraordinária, e quem quer conhecer mais um pouco sobre blues, vale a pena ouvir!

Quem estiver curioso pra conhecer esse cara, assistam ai alguns de seus vídeos.

Mississipi

Amor vazio


Clipe da Semana ( The Black Crowes - Sometimes Salvation )

Postado por Renan Tambarussi domingo, 2 de janeiro de 2011 0 comentários

Eai pessoal, esse vai ser o primeiro Clipe da Semana do ano, e para começar bem eu deixo a linda musica Sometimes Salvation do The Black Crowes. A musica é do ótimo álbum The Southern Harmony and Musical Companion de 1992.

Curtam e tenham um ótimo ano !

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