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Ensaio fotográfico de Abbey Road completa 44 anos

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 13 de agosto de 2013 0 comentários

Quem não conhece a foto na qual quatro rapazes atravessam uma faixa de pedestres? Certamente, você já sabe de que banda estou falando. Maiores detalhes são desnecessários quando se trata de um dos cliques mais icônicas do universo musical mundial, ele é facilmente lembrado.


Conhecida por milhões de pessoas dos quatro cantos do planeta, a foto da capa do álbum “Abbey Road”, dos Beatles, está completando 44 anos. Mesmo quase meio século depois, ela é conhecida, reconhecida e querida por pessoas de diferentes faixas etárias, raças, crenças e nacionalidades.  


Tudo aconteceu no dia 8 de agosto de 1969, sob as lentes do fotógrafo escocês Iain Macmillan, também amigo de John e Yoko. O quarteto de Liverpool se encontrou para um de seus últimos ensaios fotográficos — o último a ser utilizado em um álbum. Naquela época, reunir todos os membros da banda era uma árdua tarefa, que sempre acabava gerando um grande desgaste para os rapazes.  


A ideia de atravessar a rua, que também dá nome aos estúdio onde praticamente toda a obra foi gravada, foi de de McCartney. A sessão teve apenas seis fotos com os músicos sobre a faixa, e uma delas foi eleita para compor a capa do 12º álbum lançado pela banda. Linda McCartney também esteve presente e fez algumas fotos dos preparativos.




Rascunho original feito por Paul

Desde então, a Abbey Road nunca mais foi a mesma. A rua se tornou um famoso ponto turístico, parada obrigatória para beatlemaníacos do mundo inteiro, onde os pedestres fazem questão de repetir a famosa travessia.

Com o passar do tempo, inúmeros detalhes foram destrinchados por fãs. Paul Cole, velhinho parado ao fundo da imagem, já foi encontrado e entrevistado; a placa do Fusca, de número LMW 281F, foi roubada diversas vezes até o carro entrar em leilão em 1986 e ser vendido por £2.530. Hoje, ele está no museu da Volkswagen, na Alemanha.


  


































Beatles na tela da Caixa Cultural

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 28 de maio de 2013 0 comentários

Em comemoração aos 50 anos da banda, mostra vai exibir 12 filmes na Caixa Cultural do Rio de Janeiro.



A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 4 a 9 de junho, a mostra 50 anos de Beatles: uma história de cinema”, com a exibição de 12 filmes que ilustram a trajetória da banda, sua importância na história da música mundial e o fenômeno conhecido como beatlemania. O projeto tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

Serão exibidos sete filmes de ficção, que fantasiam as histórias por trás de grandes canções dos Beatles, e cinco documentários, que tentar decifrar 50 anos de sucesso. A mostra vai revelar quanto a banda se transformou musicalmente ao longo dos anos, trazendo, em cada novo disco, propostas mais complexas e revolucionárias, passando de Reis do Iê-iê-iê para um dos símbolos da revolução cultural da década de 1960.

Os Beatles revolucionaram o mercado audiovisual lançando, eles mesmo, quarto filmes de ficção, que associam a narrativa cinematográfica com suas músicas. Os dois primeiros filmes – Os Reis do Iê-iê-iê, de 1964 e Help!, de 1965 – dirigidos por Richard Lester, estão em cartaz na mostra, assim como os documentários What's happening” The Beatles in USA, dos diretores Albert e David Maysles, e George Harrison: living in the material world, de Martin Scorsese.

“Quando se pensa em Beatles, além da música contagiante, se pensa no estilo, nas figuras, nos movimentos e nas cores que pintaram a sua história, criando um terreno extremamente fértil para o cinema”, comenta a curadora da mostra, Susanna Lira. “A partir deste universo, que não foi feito só de fantasia, mas de muitos conflitos entre os integrantes, o cinema encontrou material suficiente para criar dramas, romances, documentários e musicais”, completa.

Além da exibição dos filmes, a mostra realizará a palestra “Beatles através do cinema – cinco décadas de som e imagem”, com o ator e beatlemaníaco Fernando Ceylão, no dia 6 de junho, às 19h30, com entrada gratuita.  


Programação:

4 de junho
16h – “O Garoto de Liverpool”, de Sam Taylor-Wood (Canadá/Inglaterra, 2009, 98 min, 14 anos)
18h – “Os Reis do Iê, Iê, Iê”, de Richard Lester (Inglaterra, 1964, 87 min, Livre)

5 de junho
16h – “Imagine – John Lennon”, de Andrew Solt (EUA,1988, 100 min, 14 anos)
18h – “Os Cinco Rapazes de Liverpool”, de Iain Softley (Alemanha/Inglaterra,1994, 100 min, 14 anos)

6 de junho
16h – “Febre de Juventude”, de Robert Zemeckis (Inglaterra, 1978, 104 min, 12 anos)
18h – “What's happening! The Beatles in USA”, de Albert Maysles e David Maysles (EUA, 1964, 81 min, 12 anos)
19h30 – Palestra: “Beatles através do cinema – 5 décadas de som e imagem cinema” – Palestrante: Fernando Ceylão (ator, autor, diretor e beatlemaníaco)

7 de junho
16h – “Estados Unidos X Lennon”, de David Leaf e John Sheinfeld (EUA, 2006, 99 min, 14 anos)
18h – “Capítulo 27”, de Jarrett Schaeffer (EUA, 2008, 84 min, ficção, 16 anos)

8 de junho
14h – “Help!”, de Richard Lester (Inglaterra,1965, 90 min, Livre)
16h – “Lennon NYC”, de Michael Epstein (EUA, 2010, 114 min, 12 anos)

9 de junho
14h – “George Harrison: Living in the Material World” (*), de Martin Scorcese (EUA, 2011, 208 min, 14 anos)
(*) Este filme será exibido em 2 partes, com intervalo de 10 minutos.
18h – “Across the Universe”, de Julie Teymor (EUA, 2006, 133 min, 10 anos)

Serviço:
Mostra “50 anos de Beatles: uma história de cinema!”
Data: de 4 a 9 de junho de 2013 (terça-feira a domingo)
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal
Programação completa da CAIXA Cultural: 
www.caixa.gov.br/caixacultural


FONTE: Caixa Cultural

Novo álbum de Paul McCartney e shows no Brasil: o que esperar?

Postado por Renan Tambarussi quinta-feira, 18 de abril de 2013 0 comentários



Após uma série de especulações, as apresentações de Sir Paul McCartney no Brasil foram confirmadas. Seguindo a ideia de tocar em estados nos quais ainda não pisou, desta vez o músico estará em Minas Gerais, Goiás e no Ceará. O palco da estéria mundial da nova turnê de McCartney, “Out There”, estará na capital mineira. Pela primeira vez, uma cidade da América do Sul será o ponto de início de uma turnê do músico.  

Em Belo Horizonte, ele terá motivos de sobra para comemorar: os 50 anos do primeiro álbum dos Beatles e as quarto décadas de “Band On The Run”, que foi um marco na banda que formou após o fim do quarteto de Liverpool, os Wings. Certamente, essas datas influenciarão no setlist. Apesar de o próprio McCartney já ter afirmado que uma mudança é difícil, pois existem músicas que não podem ficar de fora, acredito que ele irá surpreender os fãs na escolha do repertório. 


O nome do britânico não sai da boca do povo. Nos últimos dias, surgiram diversas afirmações a respeito do novo disco de Paul McCartney e algumas delas foram desmentidas. O que povoou inúmeras páginas foi a notícia sobre as supostas referências que estariam presentes no álbum. Diferentes fontes diziam que a inspiração do beatle se baseava a nomes consagrados no universo musical como Bruce Springsteen, Eric Clapton e Nirvana, incluindo o funk carioca. Bastou a palavra “funk” dividir espaço com McCartney em uma mesma matéria para pessoas surgirem com pedras na mão, o criticando acidamente.  

Vale a pena abrir um parênteses a respeito das críticas: considerando que ele é um músico com meio século de experiência, creio que devemos esperar e ouvir. Verdade ou mentira, se McCartney resolveu beber na fonte do “batidão carioca”, no mínimo, deve ter feito uma boa pesquisa sobre o gênero. Existe muita coisa ruim no funk? Existe. Ainda mais hoje em dia, o gênero deixou de representar a realidade das comunidades do Rio de Janeiro para fazer apologia ao sexo há tempos, pelo menos é o que acha a mortal que vos escreve. Mas quem foi que disse que não há algo proveitoso que possa ser extraído dele?  

O porta-voz do músico afirmou que as informações que estão circulando na rede são falsas, assim como uma lista com músicas que fariam parte do disco. Entretanto, dentre os nomes das possíveis faixas, “Hosanna” pode ser, de fato, uma das novas músicas de McCartney, ela foi mencionado por Mark Ronson, que está trabalhando na produção do álbum. Duas músicas da falsa lista apresentam artistas convidados: “Down the Road” teria a participação de Dave Grohl, Pat Smear e Krist Novoselic, ex-membros do Nirvana; e “Eye Of The Storm” seria fruto de uma parceria com Springsteen.

Entre boatos e verdades, afirmações e fatos desmentidos, há um nome que aparece há anos em listas falsas de músicas de McCartney: “Blue Skies”. Seu último disco solo foi “Kisses On The Bottom”, que saiu no ano passado. O britânico voltará ao Brasil em maio, com a turnê “Out there”. Estão confirmadas apresentações em Belo Horizonte (Mineirão), Goiânia (Estádio do Serra Dourada) e Fortaleza (Castelão), nos dias 4, 6 e 9, respectivamente.  




“Please, Please Me” - Primeiro álbum de estúdio dos Beatles comemora 50 anos

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 26 de março de 2013 0 comentários



Do que uma música precisa para ser ouvida 50 anos depois? Poucos são os artistas que têm a receita que une um talento grandioso com a oportunidade de mostrar seu trabalho aos quatro cantos do planeta e, os Beatles, estão nessa seleta lista. O quarteto inglês se infiltrou por diversas gerações e, meio século depois, ainda é parte da vida de muita gente.  

Menos de dez horas foram necessárias para que “Please, Please Me” fosse gravado e mixado, ao vivo, nos estúdios de Abbey Road. Precisamente, foram nove horas e 45 minutos. O álbum, que surgiu na sequência do sucesso do single homônimo, que levou os Beatles ao topo das paradas britânicas, foi lançado em 22 de março de 1963.


A banda tinha uma carta na manga: quando gravaram, já eram artistas experientes, versados em soul, gospel, r'n'b, blues americano e rock and roll. Os garotos sabiam como as canções eram feitas porque, como não tinham dinheiro para comprar partituras, decifravam letras e descobriam as harmonias ouvindo os discos repetidas vezes. Eles também já sabiam como conquistar uma platéia, carregavam na bagagem muitas apresentações para adolescentes deslumbradas, eles sabiam o que fazer em cima do palco.


Como todos os outros álbuns de estúdio da banda, ele chegou ao primeiro lugar das paradas logo após o lançamento. Produzido por George Martin, ele buscou reproduzir a sonoridade dos shows dos Beatles no Cavern Club. Entre as faixas estão algumas das melhores composições de Lennon e McCartney e alguns covers que ilustravam as influências que guiavam os rapazes naquela época.

Quando os rapazes se juntavam na casa de Paul para escrever suas músicas, reagrupavam acordes familiares e transformavam em algo que fosse deles. Dessa forma, o riff de baixo de uma música de Chuck Berry foi incorporado a “I Saw Her Standing There”. Outra inspiração foi o som da voz de Roy Orbison, presente na faixa título.
Em comemoração aos 50 anos do primeiro álbum dos garotos de Liverpool, a Comissão vai mostrar fatos e curiosidades existentes por trás de algumas faixas.

“I Saw Her Standing Here”
Ela fincou de vez os Beatles nos salões de baile adolescentes. A contagem “one, two, three, four” foi mantida para dar a impressão de um registro ao vivo. Originalmente, a canção era intitulada “Seventeen”.

“Misery”
A faixa foi escrita para Helen Shapiro, uma estrela teen britânica, porém, seu produtor, Norrie Paramor, recusou.

“Ask Me Why”
Lançada como lado B de “Please, Please Me”, foi escrita na primavera de 1962 e tem John como principal compositor. Foi uma das quarto músicas que os Beatles levaram para a primeira sessão de gravação em 6 de junho do mesmo ano, nos estúdios da EMI em Abbey Road, mas George Martin não achou que a canção fosse boa o bastante para se tornar o single de estréia.

“Please, Please Me”
Alguns críticos enxergavam a música como um pedido de igualdade no prazer sexual. O editor do Village Voice, de Nova York, deu ênfase à polêmica dizendo que ela falava sobre sexo oral. Anos depois, Paul comentou: “Se eles quisessem, poderiam ter encontrado diversos duplos sentidos no começo do nosso trabalho. E quanto a 'I'll Keep You Satisfied' ou 'Please, Please Me'? Tudo pode ter duplo sentido, se você procurar o bastante”

“Love Me Do”
Foi o primeiro grande sucesso da banda na Inglaterra. No início da década de 1960, Bruce Channel alcançou o sucesso no Reino Unido com “Hey Baby”, que trazia um solo de gaita do músico de Nashville Delbert McClinton. Ele chamou a atenção de John e, quando eles se conheceram, o beatle pediu para que o músico o ensinasse a tocar.

“PS I Love You”
Composta em forma de carta, foi a percursora de outras canções no mesmo formato compostas por Paul, como “Paperback Writer” e “When I'm 64”. Dorothy Rhone (Dot), namorada de McCartney naquela época, achava que a canção havia sido escrita para ela, o que foi desmentido por ele mais tarde.

“Do You Want To Know A Secret?”
O segredo em questão era que John estava apaixonado. Da mesma forma que “Please, Please Me”, a gênese era uma música que sua mãe costumava cantar para ele, que, no caso, fora tirada do filme da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”, de 1937. Em uma das cenas, a Branca de Neve canta para os pombos: “Wanna know a secret? Promise not to tell? We are standing by a wishing well”.

“There's A Place”
Revelava sentimentos de isolamento e rejeição que se tornariam uma marca nas canções de John, ela apresentava o que se tornaria um tema recorrente: a busca por conforto em seus pensamentos, sonhos e memórias.

“Twist and Shout”
É um cover de uma música de Phil Medley and Burt Russell. Foi a última faixa a ser gravada porque Lennon ficou resfriado no dia da gravação. Martin temia que os vocais estragassem a qualidade da canção, já que a voz de John estava alterada.


Os jovens músicos ao lado do empresário Brian Epstein
Vale ressaltar mais duas curiosidades:

- O vinil original de “Please, Please Me” é o único álbum dos Beatles no qual as canções são creditadas como “McCartney-Lennon. Depois, todas as composições da dupla, são creditadas como “Lennon-McCartney”.
- “Please, Please Me” não foi lançado na América até que o catálogo dos Beatles fosse padronizado para CD, em 1987.





Two of Us – o sonho nunca acabou

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 26 de fevereiro de 2013 2 comentários


Se estivesse vivo, o “tímido” beatle George Harrison completaria 70 anos no último dia 25. Sem sombra de dúvidas, ele está no hall dos maiores músicos que o mundo teve o prazer de conhecer. Harrison deixou belíssimas canções através dos Beatles e de sua carreira solo. O tempo passa, mas elas continuam vivas dentro do coração de milhões de fãs ao redor do mundo e são transmitidas de geração para geração. 


Há um leque de opções para homenageá-lo. Entretanto, resolvi aproveitar a data para compartilhar belíssimas palavras de Rob Gordon. É um conto conhecido por alguns, mas desconhecido por muitos outros, que escolhi para ilustrar a data e fazer com que um filme de boas recordações invada a mente de cada leitor, relembrando tudo o que o músico nos deixou. 

Beatlemaníacos de plantão, preparem os lenços, pois será difícil conter as lágrimas!


“Por trás dos cabelos longos e bigode, ele está olhando para baixo, observando algo fixamente. É surpreendido pela chegada do companheiro, que possui cabelos ainda mais longos que quase escondem os óculos de aro fino. O recém-chegado senta-se ao lado do amigo, olhando para baixo e apertando os olhos devido à miopia. Após alguns segundos, pergunta:
– Ele já entrou no palco?
– Já. Está tocando há alguns minutos – responde o amigo.
– Onde é?
– No Brasil. Em São Paulo, acho.
– Está cheio?
– Muito.
O de óculos permanece em silêncio alguns segundos, tentando captar o som que vem de baixo, de longe.
– O que ele está tocando agora? Jet?
– Acho que sim, não dá para ouvir direito por causa da gritaria. Mas acho que é sim.
– Eu gosto desta música.
– Ele está falando com a platéia, mas não consigo entender nada.
– Acho que é português. Não dá para ouvir direito, o público não deixa.
– Com a gente era assim, também. Lembra no Japão? Ninguém ouvia nada.
– Olhe! All My Loving!
Ambos começam a bater as mãos no joelho, de forma quase inconsciente, acompanhando o ritmo da música. “I’ll pretend that I’m kissing…”, o de bigode canta baixinho.
– George! Você ainda se lembra da letra!
– Tem como esquecer? Aposto que você se lembra também.
– Eu me lembro de todas. Todas as músicas. Todos os versos.
– Ele está afinado ainda, não?
– Ele sempre cantou muito bem. Desde menino, ele sempre cantou muito.
Ficam em silêncio mais um pouco, olhando para baixo atentamente.
– Qual é agora? Drive my Car? A platéia esta fazendo barulho demais.
– Drive my Car. Essa é quase toda dele, sabia? Eu apenas ajudei em uns trechos.
– Está no Rubber Soul, né?
– Acho que sim. Sim.
– A platéia está cantando a música inteira.
– Como eles sabem a letra? Eles não eram nem nascidos quando lançamos isso.
– Não sei… Mas eles estão cantando a música inteira, John. Dá para ver daqui.
Permanecem em silêncio por mais algum tempo. O de óculos, mesmo sem perceber, balança a cabeça para os lados discretamente, ao som da música.
– Ele foi para o piano.
– Eu nunca entendi como ele sabia tocar tantos instrumentos. Isso não é normal.
That leads to your door
Will never disappear
– Qual ele está tocando agora? The Long and Winding Road?
– Sim. Veja! As pessoas estão chorando!
Afastando os cabelos do rosto, o míope aperta ainda mais os olhos, vasculhando a multidão.
– Não gosto dessa música – ele diz, mais para si mesmo que para o amigo.
– É linda. Ninguém conseguia fazer baladas como ele.
– Mas não gosto. Nós mal nos falávamos na época.
– Acontece. Acontece com todo mundo, por que não iria acontecer com a gente?
– Verdade.
– Ele está tocando as nossas, olhe. Antes foi And I Love Her. Agora é Blackbird.
– Eu não acredito que as pessoas ainda cantam junto, depois de tantos anos… A letra não está aparecendo no telão? – pergunta o de óculos, abaixando-se ainda mais e tentando ver o palco.
– Não, elas sabem mesmo. Dá para perceber daqui.
– Ele disse meu nome?
– Sim. Você sabe qual ele vai tocar. Ele escreveu para você.
I still remember how it was before,
and I’m holding back the tears no more…
– Você está legal, John?
– Eu e ele perdemos muito tempo. Hoje eu sei disso.
– Eu sei.
– Sabe, George… Se nós soubéssemos que eu teria tão pouco tempo, talvez tivéssemos nos comportado de outra maneira.
– Talvez não. Vocês sempre foram melhores amigos. Ele sabia disso. Ele faz questão de cantar essa, todo show. E ele sabe que você está vendo. Ele não canta para a platéia, ele canta para você. É a forma que ele encontra de matar a saudade um pouco.
– Será?
– Sim. Eu senti muito sua falta antes de nos reencontramos. Olhe as pessoas lá embaixo, estão soluçando. Todos sentem sua falta.
– Eu sinto muito a falta dele. Eu sinto muita saudade da gente. Especialmente do começo. Lembra da Alemanha?
– A gente ainda era menino… Tudo era o máximo, tudo era novidade. Nós éramos novidade.
– Nós ainda somos novidade. Olhe, essa é sua!
You’re asking me, my love will grow?
I don’t know, I don’t know
– Eu me lembro de quando escrevi. Era difícil escrever algo com vocês ali.
– Essa música é linda.
– Olhe! No telão! Ele colocou uma foto minha!
– A gente gostava demais de você. Você era mais novo, víamos você como uma espécie de caçula.
– Eu sei – concorda o de bigode, rindo alto.
Esperam em silêncio a plateia aplaudir. Ao final da música, ambos estão visivelmente emocionados, cada qual com suas lembranças. Os acordes de uma nova canção parecem despertá-los.
– Eu gosto dessa!
– Essa é dele, não é nossa.
– Band on the Run? Mas poderia ser nossa.
– Se dependesse de mim, seria.
– Ah, sim. De todos nós, você sempre foi o mais roqueiro, essa música é a sua cara.
– Ele fez muita coisa boa, né?
– Sim.
Enquanto o de óculos bate os dedos no joelho, o de bigode, sentado de pernas cruzadas transforma sua própria coxa no braço de uma guitarra imaginária. Ambos parecem distantes, talvez pensando não no que foi, mas no que poderia ter sido.
I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
Enquanto o de bigode tamborila os dedos no ritmo, seu amigo remove os óculos rapidamente. Está chorando.
– Você sempre chora nessa.
– Foi uma das últimas que escrevemos juntos. Mesmo separados. Metade é minha, metade é dele. É estranho, hoje, vê-lo cantando minha parte, e eu aqui.
– Ele não está cantando sozinho.
– Como não?
– Olhe o estádio. É uma voz só, uma voz de sessenta mil pessoas.
– O que são aquelas coisas brancas? Balões de gás?
– Sim.
– Como isso fica bonito, vendo daqui de cima.
– Espere… Give peace a chance? Isso não era da música, certo?
– Não.
– Isso é seu!
– Sim.
– O estádio inteiro está cantando! Olhe os balões de gás! As pessoas estão chorando, se abraçando.
O de óculos resmunga um palavrão, sorrindo. Seus óculos estão embaçados, molhados de saudade.
– Let it be. Essa não poderia faltar.
– Eu não me conformo com isso, com as pessoas ainda saberem as letras inteiras.
But in this ever changing world
in which we live in
– Eu gosto dessa também.
– Uau! Você viu aquilo, John? São fogos?
– Ficou demais, né?
– Nós não tínhamos isso no nosso tempo.
– Nós não precisávamos.
– Mas ele também não precisa. Mesmo assim, ficou lindo.
– O que as pessoas estão cantando, agora? Hey Jude?
– Sim… Estão abraçados, cantando junto com ele.
– É engraçado, George… Eu sei que nós éramos bons… Mas acho que nunca entendi a importância que temos na vida das pessoas, até pouco tempo atrás. Quando eu assisto aos shows dele, e vejo as pessoas cantando junto, chorando… Mexe demais comigo.
– Nós éramos bons, John. Você sabe disso.
– Aparentemente, ainda somos. As pessoas ainda…
– Ainda o quê?
– Sabe, eu estava errado.
– Oi?
– Quando eu disse que o sonho acabou. Eu estava errado.
– Nós três sempre soubemos disso, que você estava errado. Você sempre falou demais. Lembra aquela confusão de sermos maiores que Deus?
– Sim… Mas o sonho… O sonho não acabou nunca. Eu errei.
– John?
– Sim?
– O sonho nunca vai acabar. Não enquanto as pessoas se lembrarem. E elas vão se lembrar para sempre.
Sorrindo, John Lennon levanta-se e oferece a mão a George Harrison.
– Você está com sua guitarra?
– Eu sempre estou com minha guitarra, você sabe.
– Vamos tocar um pouco?
– Qual?
– Qualquer uma. Deu saudade.
Milhões de quilômetros abaixo, Paul McCartney, emocionado, agradece à platéia.”




Segredos Musicais – Lucy In The Sky With Diamonds (The Beatles)

Postado por Renan Tambarussi quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 1 comentários



O quadro Segredos Musicais está de volta e o tema de hoje é uma obra do quarteto de Liverpool! “Lucy In The Sky With Diamonds”, assim como outras canções dos Beatles, ganhou diversas interpretações. Seu título foi visto como uma alusão ao LSD*. Porém, a história é outra, nada tem a ver com a droga.

Ela é uma das 14 faixas do lendário “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, álbum que foi criado por Paul tendo em mente um show de uma banda de metais, eduardiana e fictícia, transportada para a era psicodélica. Os Beatles finalmente puderam se dedicar exclusivamente a um disco, já que estavam livres de compromissos e shows. Ele foi lançado em junho de 1967, durante o conhecido “Verão do Amor”. O contemplado “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” foi um dos primeiros álbuns duplos da história e o primeiro que incluiu encarte com as letras das músicas, embalagem interna decorada e uma capa feita por um artista conceituado.  


Para escavar mais a fundo a história da música, fiz um resumo capítulo do livro “The Beatles: A história por trás de todas as canções”, de Steve Turner. Leitura super válida, não apenas para beatlemaníacos.  


Tudo começou numa tarde, no início de 1967, quando Julian Lennon, filho de John, voltou da escola. Ele trazia um desenho que havia feito de sua colega de classe, Lucy O'Donnell, que, na época, tinha quatro anos. Julian o explicou ao pai dizendo que era Lucy “no céu com diamantes”.


John ficou impressionado com a frase e começou a fazer associações que o levaram a compôr “Lucy In The Sky With Diamonds”. A canção tem um toque especial de sua admiração pelo surrealismo, pelos jogos de palavras e pela obra de Lewis Carroll.  

Quando notado que as iniciais do título formavam a sigla LSD, parecia surgir a comprovação: a música era a descrição de uma viagem provocada por ácido lisérgico. Tal teoria foi negada por Lennon, tanto em público quanto em particular. Ele insistia que o título fora baseado na interpretação de Julian sobre sua pintura. Julian recorda:

— Não sei por que eu dei aquele nome nem por que se destacou entre todos os meus outros desenhos, mas eu obviamente gostava muito de Lucy. Eu mostrava tudo o que fazia ou pintada na escola ao meu pai, e esse desenho levou à ideia de uma música sobre Lucy no céu com diamantes.

As alucinações que aparecem na canção tinham sido inspiradas pelo capítulo “Lã e água” de “Através do espelho”, de Lewis Carroll, em que Alice é levada rio abaixo em um barco a remo pela Rainha, que de repente se transforma em um carneiro, afirmou John.

Quando criança, Lennon tinha dois livros favoritos: “Alice no país das maravilhas” e “Através do espelho”. Certa vez ele declarou que, em parte, foi graças à leitura que ele percebeu que as imagens em sua cabeça não eram indícios de insanidade.

— Surrealismo, pra mim, é realidade. A visão psicodélica é realidade pra mim, e sempre foi.

O beatle adorava o programa de rádio britânico “The Goon Show”, com Spike Milligan, Harry Secombe e Peter Sellers, que era transmitido pela BBC entre meados de 1952 e o início de 1960. Os roteiros eram basicamente escritos por Milligan e satirizavam figuras do establishment, atacavam o conservadorismo do pós-guerra e popularizavam um humor nonsense. John disse a Spike que “Lucy In The Sky With Diamonds”, assim como outras canções, foi inspirada em diálogos do “The Goon Show”.

Assim que Paul chegou a Weybridge para trabalhar na música, John só tinha o primeiro verso e o refrão. Fora isso, só algumas frases e versos soltos, e imagens trocadas. Foi Paul quem inventou “newspaper taxis” e “cellophane flowers”, e John, “kaleidoscope eyes”.


“Lucy In The Sky With Diamonds” ganhou uma versão cover de Elton John em 1974, que foi lançada como single. A gravação aconteceu em Caribou Ranch e contou com a presença de ninguém menos que John Lennon, ou Dr. Winston O'Boogie (pseudônimo), deixando sua marca registrada nos backing vocals e na guitarra. A versão chegou ao número 1 da Billboard e foi o único cover de uma canção dos Beatles que conseguiu alcançar esse título.

A eternizada Lucy Vodden morreu aos 46 anos. Ela sofria de lúpus e lutava há anos contra a doença, que fazia com que seu sistema imunológico atacasse os tecidos do corpo.


Para encerrar, deixo vocês acompanhados por toda a psicodelia de “Lucy In The Sky With Diamonds”:




* Vale lembrar que a Comissão não faz e não tem como objetivo fazer nenhum tipo de apologia às drogas.

Clipe da Semana Especial – Natal

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 18 de dezembro de 2012 0 comentários


É, amigos, ano já chegou ao fim, vejam só quem está batendo na porta: o Natal! A Comissão preparou um especial de clipes natalinos para comemorarmos a união, o amor e também as brigas familiares (por que não?) que sempre fazem parte dessa ilustre data do nosso calendário.  


Quando os enfeites de Natal começam a aparecer nas lojas, os comerciais na TV e todo aquele clima de fim de ano vai tomando conta, precisamos de uma boa trilha sonora. Foram selecionadas algumas canções para embalar os próximos dias e, é claro, a noite feliz. 

Sempre existe uma música que é mais lembrada, que marca uma determinada ocasião, não é? Nada mais justo do que dar início a esta seleta lista com o sucesso de John Lennon: "Happy Xmas (War Is Over)". A canção surgiu como uma forma de protesto sobre a guerra do Vietnã, mas se tornou uma das mais famosas músicas de natal, fora da linha das popularmente clássicas, e foi gravada em diversas línguas. 


Aproveitando que o assunto é John Lennon, vamos seguir com uma gravação dele com Paul, George e Ringo, nos tempos de Beatles: “Christmas Time is Here Again”. Na Inglaterra, assim como nos Estados Unidos, era um costume gravar canções especiais de Natal e foi isso que o quarteto de Liverpool fez. 


A próxima música vem do fim da década de 80. Com vocês outro grande sucesso, bem lembrado pelos amantes do bom e velho rock and roll: “Merry Christmas (I don't want to fight tonight)”, dos Ramones! 


Ainda dentro do punk, temos “Jingle Bells” dos Sex Pistols. 


Continuamos com a versão de Billy Idol de um sucesso natalino da década de 50, “Jingle Bell Rock”, que já foi interpretado por dezenas de artistas.


Abram alas porque o rei do rock está chegando! Elvisnão podia ficar de fora. Ele aparece com a música “Blue Christmas”, em um vídeo gravado em 1968, pouco depois de seu retorno, após servir o exército.


Fazendo uma viagem até a Irlanda, encontramos a regravação do U2, de “I Believe in Father Christmas”.


Os Beach Boys também entram na lista, fazendo todo e qualquer coração saltitar ao som de “Marry Christmas Baby”.


O talentoso Brian Stezer, ex Stray Cats, tem uma versão ao vivo de “Jingle Bells” que vale sem lembrada.


Também vale recordar “Silent Night”, com os americanos do Bad Religion.

                                          

Até o AC/CD entrou no clima! Os caras gravaram “Mistress for Christmas”, sem deixar seu rock n' roll de lado, é claro.


Não poderíamos deixar o rock nacional de fora! Começamos com o “Infeliz Natal” dos Raimundos.


E não podemos esquecer uma canção dos pioneiros do punk rock brazuca. Encerramos com a clássica “Papai Noel Velho Batuta”, dos Garotos Podres. Vale um destaque para a letra, prestem atenção:


O time está escalado! Agora é só ouvir e curtir o Natal com a família e com os amigos. A equipe da Comissão deseja a todos um feliz Natal, com muita paz, amor e rabanadas, estaremos torcendo para que vocês não ganhem meias de presente! 




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