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Renan Tambarussi
domingo, 4 de agosto de 2013
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Retornando de umas férias bem longas e fedendo a álcool gasto o que me sobrou do fim de semana para apresentar a vocês uma banda conterrânea minha da cidade de Muriaé – MG, que vem agitando o pessoal desde 2010.
Queima de Arquivo é formada por Jeff Nogueira (guitarra e vocal), Guilherme Oliver (baixo), Renan Araújo (bateria) e Rafael Gurgel (guitarra) que juntos produzem um som que é uma mistura de referências dentro do rock clássico e do que há de novo no rock.
Em Março de 2012 a banda lança seu primeiro álbum de nome homônimo ao da banda, e em 2013 fecham com o selo Astronauta Discos. Ainda neste ano a banda lançou seu primeiro vídeo clipe da música Frio que vocês podem conferir abaixo.
Mesmo tendo um repertório próprio a Queima de Arquivo demonstra sua versatilidade em determinadas ocasiões executando um setlist de covers de grandes clássicos do rock nacional e internacional, e foi em um desses momentos na reunião de algum clube de motociclistas que eu pude prestigiar a banda pela primeira vez.
Vale a pena conferir o trabalho dessa banda aqui no Brazilian Bands, e pra quem quiser entrar em contato os links estão logo abaixo.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 10 de junho de 2013
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Depois de ter faltado com meus posts nas semanas que se passaram estou aqui, mesmo que tardiamente para apresentar pra vocês mais uma vergonha musical que eu carrego. Vou pegar pesado na escolha da banda de hoje.
Aqueles que acompanham semanalmente minhas postagens que não são mais que meramente críticas em alguns casos, informativa em outro, não conseguirão entender como é que eu fui gostar da banda CSS, mais conhecida como Cansei de Ser Sexy. Ainda mais pelo fato de a banda se encaixar no estilo indie e eu sempre alfineto por aqui as bandinhas indies.
Antes quero deixar claro que o termo "Vergonha Musical" não é nada pejorativo. É apenas como me refiro aquela música ou banda que apesar de ser boa, em alguns casos é muito subestimada pelas pessoas, em outros, possui uma produção irregular e inconsistente mas continua tendo um atrativo, e por isso, quando dizemos que gostamos de determinada banda é possível que nos tornaremos alvos de piadas babacas. Já fiz um post sobre outra banda que assim considero aqui.
CSS é uma banda de indie/rock eletrônico formada 2003 em São Paulo por jovens que não trabalhavam nem faziam nada de útil a não ser beber na praça. Com excessão do batera Adriano Cintra, ninguém sabia de música, ou mesmo tocar instrumentos. Esses jovens se tornaram conhecidos através do fotolog da banda na época. Fizeram algumas apresentações em festivais como o Tim Festival lançando um EP logo depois em 2004 pela Trama.
A imagem hipster da banda com certeza foi a principal forma de alcançar espaço entre os jovens, porém, Adriano Cintra e sua inquestionável capacidade de compor mostram logo nos primeiros álbuns que a banda era muito mais que apenas pose.
Por que diabos eu considero essa banda uma vergonha musical que carrego? É pelo fato de que em todas as suas apresentações ao vivo, Lovefoxxx aparece completamente desafinada. Pelo fato de nenhum integrante saber dominar seus instrumentos mesmo depois de todos esses anos tocando. As apresentações ao vivo são todas muito igual às músicas de estúdio pois ninguém, excluindo-se Adriano, sabe fazer improvização. Porém uma coisa eles sabem muito bem. A pronúncia certa e perfeita do inglês, e não essa farofada que a maioria dos brasileiros fazem. Parecem mais o Borat falando.
Ao contrário de muitas outras bandas indies xexelentas, as letras do Cansei não são nada pretensiosas com aquele impregnação de poesia de ensino médio misturada com erudição muito duvidosa que a maioria das bandas desse gênero fazem.
Desde o álbum "La Liberación" o Cansei vem se curvando para um gênero mais eletrônico que rock, que acabou se mostrando mais evidente no "Planta", lançado muito recentemente cujas as músicas não ouvi ainda. Não todas pelo menos. E este último vem dividindo opiniões. Eu particularmente não gostei devido ao fator Adriano Cintra, o guru musical da banda que meteu o pé e deixou as meninas do Cansei completamente desamparadas e perdidas.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 20 de maio de 2013
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Se tem uma banda nacional que desde seu surgimento tem agradado ao seu fiel público e mantendo a linha sem decepcionar ninguém, essa banda é O Rappa. Obviamente que a longínqua saída de Marcelo Yuka há bom tempo atrás fez-se perceber bastante dolorosa. Mas os integrantes da banda souberam segurar bem a onda e manter-se fiel a proposta inicial. Mas mesmo assim, Yuka é Yuka, e as letras eram muito mais fodas. Tão fortes que a banda busca sempre estar alinhadas ao ideal do Marcelo até hoje, e não é preciso nenhum integrante vir falar isso na mídia. Esse fato pode ser observado em sua produção.
O motivo principal dessa postagem é a nova música "Anjos", que saiu no último dia 17. Religiosa. Melhor, espiritual, como muitas, porém sem incorrer naquela chatice das músicas que sua vizinha assembleiana bota pra tocar no fim da tarde. Segundo o site deles, essa música capitura a vibe do novo disco:
"A música reflete a vibe do novo disco e i webclipe que já está disponível no Youtube tem cenas das gravações que ainda estão rolando no estúdio Jimo e na Toca do Bandido sob a btuta do nosso querido Tom Saboia, que também produziu o disco 7 Vezes em parceria com o Ricardo Vidal."
Os caras continuam afiados eu eu espero ansiosamente pra ouvir o novo album deles, porque afinal, a última coisa que lançaram foi o DVD ao vivo em 2010.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 13 de maio de 2013
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"Kkk. Não tem como não gostar dessa banda."
A postagem de hoje não é mais que uma indicação! E ela não é pra qualquer olho, e como esse blog é sobre rock n' roll, consequentemente não é pra qualquer ouvido.
Logo eu que de um tempo pra cá venho me embrenhando cada vez mais nos braços da música clássica e erudita e por vezes ignoro uma playlist de rock n' roll só para me deter nas peças de Shostakowitsch, preciso confessar que nutro uma grande admiração pela banda de rock mais sacana do Brasil. O Velhas Virgens.
Sacana sim, pois no meio daquele rock/blues, ou blues elétrico que os caras tocam a baixaria toma forma, o cotidiano de muitas pessoas se apresentam. É música sem compromisso, mas ainda sim comprometida. É falar tudo sobre o nada. É um ser bukowskiano.
Para alguns a banda é apenas mais uma banda machista que explora a figura da mulher como objeto e da devassidão do mundo da embriaguês. Se apropriam do cinismo e do políticamente incorreto. Incorrigíveis. Para outros, como eu, que apesar de concordar com tudo o que foi dito nas últimas linhas, percebo que a poética reside nessa criatividade por parte da banda de retirar bons versos dos momentos mais sórdidos. Dos pensamentos mais hediondos. Da traição do fim de semana. Da putaria na casa da Marcela. Madrugadas longas, por vezes solitárias.
Talvez Tiê tenha uma linguagem mais apropriada para os seus ouvidos. Fique com ela, pois Velhas Virgens é realidade demais pra você. É realidade descompromissada.
Em outros momento eu posso até falar sobre a formação da banda, sobre quem entrou quando, mas isso não é pra hoje. Hoje eu só quero despertar sua atenção para o Velhas Virgens, que tem uma das vocalistas mais lindas que esse país já viu. Juliana Kosso. Que sabe ser uma diabinha nos palcos e representa muito bem o espírito da banda.
Sem mais logorréia, eis que direto do álbum "Ninguém beija como as lésbicas" a música "Bortolotto blues", que é muito engraçada, e contém umas verdades, sim:
Outra pérola. Essa do álbum "Vocês não sabem como é bom aqui dentro". A música é "Hino do pinto".
Essa linda dessa Juliana Kosso. O tipo de mulher que talvez deixe você na merda. O tipo certo para te deixar fodido. Nos sentidos literal e figurado:
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Renan Tambarussi
quinta-feira, 2 de maio de 2013
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"Porque eu ligaria pra música dele cara, se ele comeu a Janis?"
Beirando o ostracismo, eis que a mais nova notícia de Serguei nos mostra como alguns comportamentos ou fatos da vida sempre se repetem. Se você vive da sua imagem, mas não tem o jogo de cintura que o Michael Jackson ou a Madonna possuíram, você será ninguém. Mesmo ostentando os únicos dois títulos que lhe cabem, o de ter comido a Janis Joplin, e o de ser o roqueiro mais antigo do Brasil, o homem tenta viver de sua imagem já muito gasta, onde vive implorando para que o convidem para fazer shows, mesmo sem nenhuma produção consistente durante todos os seus anos de carreira.
No fim do mês passado, Serguei deu sua segunda entrada no hospital em menos de 15 dias, sentido fortes dores no corpo como relataram alguns funcionários. Já no auge da sua loucura, o músico brasileiro, debilitado, precisaria de ajuda financeira como relata alguns de seus amigos de banda, não tendo dinheiro para bancar suas injeções e outros medicamentos.
Ora, amigo leitor. A vida dá muitas voltas e rasteiras, e não posso aqui traçar palavras que possam ferir a integridade que talvez resta de Serguei sobre como ele não consegue arcar com sua saúde. Porém, obviamente, mesmo possuindo os títulos que lhe são de direito, o músico não tem importância expressiva, a não ser para mostrar-se o bobo da corte do rock nacional como visto em um de nossos posts que vocês podem conferir aqui.
Não é meu papel aqui denegrir todo a produção musical desse homem, mas nos é claro de como não houve contribuição do cara para a evolução do rock nacional. Foi mais um "filhinho de papai" vivendo da imagem promovida pela suas loucuras adolescentes. Consigo percebê-lo como um bom entertainer, mas nunca como músico. Na verdade como um candidato a entertainer com um narcisismo sem vergonha.
Serguei nunca foi músico. Músico é quem vive de música. Serguei vive da sua imagem gasta e sua peruca ensebada e uma logorréia insana.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 22 de abril de 2013
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Eis que finalmente o Sabbath libera seu single "God is Dead?" na última semana. Logo que acabei de escutar a música eu queria de imediato postar as minhas impressões. Porém, segurando a emoção e analisando que eu ainda precisava ouvir a opinião do público, dos amigos e ouvir repetidamente tal obra, preferi deixar pra depois este breve trabalho.
Uma coisa é certa. Me arrependi por ter esperado a rasteira e risível opinião popular. Coisas como "Você quer ouvir heavy metal britânico de verdade? Ouça 'Temper Temper' do Bullet of My Valentine". Essa pequena frase já me aborrece pelos erros de categoria que apresenta, e ainda por cima possui uma inverdade bastante questionável. Algumas pessoas realmente estavam pensando que o Black Sabbath voltaria fazendo alguma tipo de Metalcore xexelento?
De fato a única mudança que eu esperei aconteceu, que foi a qualidade da produção proporcionada pela evolução da tecnologia do ramo musical. Não existe mais aquele som abafado, por vezes "abelhudo" da década de 70.
Em contrapartida ao fulaninho autor da célebre colocação ali em cima, alguns admiradores como eu puderam notar que os tiozões do Sabbath não perderam nada da pegada do passado. Conseguiram em quase 9 minutos mostrar ao mundo que o peso provocativo característico deles ainda está lá. Não é preciso riffs executados na velocidade de uma bala disparada por um fuzil para fazer de uma música algo pesado. É preciso na verdade ser sábio o bastante pra criar a atmosfera negra que o público deseja.
Agora, eu percebo que o "Heaven & Hell", pelo menos por este tempo, me aparece como um esboço do que é o Sabbath hoje apresentado nesse "God is Dead?". Os riffes do Iommi e o baixo do Geezer Butler são executados de forma que me fazem retornar à este trabalho, que, diga-se de passagem, é formidável.
Somente nos resta esperar sair o muito esperado "13".
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Renan Tambarussi
terça-feira, 16 de abril de 2013
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"Muddy Waters e os Rolling Stones em concerto, together."
Se você não curte Blues, eu espero sinceramente que um pentagrama de fogo vindo direto de "Doom 3" apareça ao seu lado agora, e com ele um demônio encarnado em um cadáver de bebê te leve para o inferno. Mas que antes disso você possa ler todo o post.
Brincadeiras à parte, a intenção de hoje é dizer que se não fosse pelos negros, o rock and roll teria se tornado rock mais cedo ainda. Não, eu não quis ser preconceituoso. Na verdade eu quis evidenciar uma período que realmente aconteceu nos Estados Unidos. O período das leis Jim Crow, que começaram nos idos de 1876 até 1965, e que segregavam e limitavam a vida de negros, asiáticos e alguns outros grupos. Nesse contexto nasce o Blues. Obviamente que as origens relatadas são da África, mas não é minha intenção aqui descrever históricamente o desenvolvimento do Blues, mas sim desenvolver uma retórica com base no que li dia desses: "A primeira vez que uma mulher tirou a calcinha e a jogou em um palco foi por causa de um cara negro que cantava blues. Quando uma garota branca jogou sua calcinha no palco, chamaram isso de 'rock'n'roll " Não tenho muita certeza, mas acho que essa colocação foi do Willie Dixon.
Pegaram? Se não fosse pelos estigmas criados e propagados pelas leis Jim Crow, Chuck Berry seria o Rei do rock e não Elvis Presley, afinal, foi Chuck quem primeiro apresentou aquele material inovador com canções como "Little Queenie" e "Johnny B. Goode". Há também o fato curioso de a banda Beach Boys terem usado uma música de Sr. Berry com uma outra letra. É possível observar em "Surfin' – USA" dos Boys completamente "Sweet Little Sixteen " do Berry.
Quem seria Rolling Stones no inicio de carreira perto de Muddy Waters? Arrisco ser até mais inconsequente ao dizer que, talvez, nem mudariam o nome para rock n' roll. Já pensaram nisso?
"Ahh vida injusta!"
Até mesmo o Led Zeppelin com "Bring it Home", "The Lemon Song" e "Whole Lotta Love" (esta última foi um plagio de "You Need Love" do Willie Dixon). Bom, o Zeppelin negou todos os plágios, porém, mesmo assim aceitaram pagar os direitos autorais aos devidos autores.
Pode ser que essa estrutura músical finita do Blues e do Rock seja complacente com plágios, uma vez que, em algum momento, não dá pra se inventar muita coisa nova. E a questão de referenciação e influências podem levar ao equivoco de se ter cometido um plágio. Mas não se pode negar o peso que as leis Jim Crow tiveram na determinação do curso dos papéis atribuídos aos nossos antigos ídolos.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 8 de abril de 2013
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"Lollapalooza aconteceu em um brejo é? Quanto tú pagou nisso?"
Por falar demais, as vezes alguma asneira sai da nossa boca, e nem ao menos nos damos conta. Eu já não sei se o inverno do meu tempo chegou precocemente e eu venho me tornando cada vez mais ranzinza, ou se de fato grandes eventos no Brasil são uma grande furada.
Lollapalooza se foi e os incautos jovens padawans (fãs) aguardam agora pelo Rock in Rio. É nesse momento que eu percebo que não ir ao evento me fará mais bem que mal, mesmo com o Black Sabbath, Slayer, e uma penca de outras bandas da qual eu admiro o trabalho confirmados. E porque? Simplesmente pelo fato de eu não querer assistir show pelo telão. Se assim for, minha casa é muito mais confortável, e não estarei sujeito a roubo, empurra-empurra, e fãs retardados. E eu posso falar com a reputação de alguém que já comprou o “rock in rio card” meia entrada nos idos de 2011, e preferiu perder o dinheiro a ir ao evento. Sim, eu fiz isso mesmo!
"-Mestre, mal posso esperar pelo Rock in Rio depois dessa bosta de Lolla!
-Acalme-se jovem padawan. Vai ser a mesma MERDA!"
A decisão surgiu quando comecei a comparar antigos grandes eventos que já aconteceram com os atuais, e me parece que nenhuma foge do padrão. Filas imensa pra se fazer qualquer tipo de coisa. Tem fila até pra espirrar. Arrastões. Cerveja quente, comida não identificável. Além do fato de você estar cercado por milhares de pessoas longe de civilizadas. E o pior embuste de todos, que é se utilizar do nome das boas bandas que fazem boas apresentações para dizer que o evento foi bem organizado. Não. Ainda prefiro o sofá de casa. Megaeventos, pelo menos aqui no Brasil, ainda não funcionam.
Posso estar sendo muito exigente, porém, nada melhor que observar de perto os dedos de seus ídolos percorrendo o braço da guitarra. Ver de perto cada toque da baqueta na pele dos tons, caixa e pratos de uma bateria. Aqueles perdigotos sutis do vocalista que sem querer vem na sua cara. E eu não estou falando de showzinho de bandinha cover.
É nesse momento que vocês me perguntariam: “Poxa. Então quando é que você terá a oportunidade de... sei lá... ver Metallica tão perto assim como você disse?” Ora, maganão. Nunca terei. Porém eu deixo a histeria pra fãs patetas, e me recuso assistir pelo telão a apresentação desses caras. Sou apenas um admirador do trabalho das bandas que eu gosto, e isso significa que por mais que eu goste do som que alguém produz, não venderia minha alma ao diabo por uma palheta ou baqueta jogados pra mim em um show.
“Então você quer dizer que é melhor eu não ir?” Não! Vá sim. Principalmente se você for marinheiro de primeira viajem e ainda possui o inocente espírito jovem que deseja explorar the dark side of the gigs. Vá a quantos puder, e vá percebendo padrões e vá se cansando... e seja menos fã!
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 1 de abril de 2013
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Estar chateado, estar alegre, estar eufórico ou em qualquer outro estado é motivo para se ouvir música. Sabe aquele maldito dia onde as coisas todas dão errado desde o café da manhã com um gosto amargo, passando pelo chefe te cobrando no trabalho, até o fim da tarde quando seu(a) namorado(a) termina com você? É um ótimo motivo pra desenterrar aquela playlist para momentos difíceis, negros e insuportáveis, e ficar nela até o Diazepam fazer efeito.
E porque diabos coisas como “Nutshell” do Alice in Chains em alguns momentos podem apresentar um poder de cura incrível? Ou “Blue Sunday” dos Doors te transportar ao seu passado e te fazer reviver coisas tão intensas? Ouvir Texas Hippie Coalition em uma bebedeira para evitar bater em alguém. Muitos como eu devem gostar é de ficar horas ouvindo Legião Urbana, que pra mim é coisa séria, e não tem nada a ver com os clichês “Será”, “Eu sei”, “Faroeste Caboclo” e uma série de outros hit-parade que não chegam aos pés de outras músicas menos conhecidas.
Estive pensando, e para além disso, estudando este fenômeno. Está tudo ligado ao AUTOCONHECIMENTO! É o papel da música, mas também da poesia, dos romances literários. Em certa proporção, nos educam para compreendermos melhor as situações e os sentimentos humanos.
Autoconhecimento...
Não atribuímos genialidade aos grandes mestres do rock, ou dos livros atoa. Eles são pessoas muito hábeis com o “tatear contingências” bastante sutis como sentimentos e dilemas existenciais. E de quebra ainda nos ensinam esse tatear toda vez que colocamos pra rodar “Andrea Doria” ou “Rollin” no player. Talvez, sem termos ouvido determinada música, nem pensaríamos em conceitos que hoje manuseamos para nos curar, ou nos sentirmos alegres ou seja lá o qual for o seu momento.
Posso apenas imaginar a dor de Robert Plant ao perder seu filho e compor "All my love". Em termos de perda, ele teve que lidar com o fardo antes de muitas pessoas usarem o "tatear" dele depois de terem ouvido a música.
Ontem eu estava triste, mas hoje eu coloco na minha playlist um som agradável e que não me faça chorar. Viva os motherfuckers do Judas Priest.
E copiando o digníssimo Adriano Falabella: “rock and roll é pra quem merece!”
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 25 de março de 2013
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Durante algum tempo eu venho criticando, tanto positivamente quanto negativamente de forma horizontal o cenário do rock and roll nacional. As vezes há um show de bestialidades e asneiras, assim como também há o nosso colírio cotidiano. E hoje vou comentar sobre um documentário que se tornou para mim um colírio. Não é novo, e muitos de vocês já conhecem. Guidable: A verdadeira história dos Ratos de Porão.
Eu curto Ratos há algum tempo, mas não tinha ouvido até então toda a discografia, muito embora eu soubesse do peso do nome dessa galera e a importância do grupo. É como saber que um diamante é valioso, porém nunca ter procurado olhar um deles de perto.
Peguei pra assistir essa porrada desse documentário e me dei conta de que na verdade eu não manjava nada de Ratos como eu achava que manjava.
Eu não quero dar uma de crítico de cinema e fazer uma resenha do doc, mas, para além disso, quero fazer uma articulação com as minhas colocações de postagens anteriores e de como algumas tendencias se repetem desde épocas distantes no mundo do rock. E se tratando disso, não posso deixar de comentar que a maior tendencia entre essas é a do mal entendido.
O movimento punk tem inicio no Brasil sei lá em que época em torno do fim dos anos 70 para inicio dos anos 80, e a única fonte onde poderiam ter acesso as informações sobre bandas seria os jornais, que distorciam tudo que chegava de fora, e os fanzines realizados por fã-clubes, que por sua vez eram baseados nesses jornais. Não deu outra. Jovens como todos os jovens, inconsequentes, mais todos esse conflito de informações da mídia, geraram um cultura de jovens de couro, agressivos e alcoólatras. Em meio a todo esse circo nasce os Ratos, que também possuíam as mesmas caracteríscas. Esse foi um resumo bem rasteiro sobre a perspectiva da época, recomendo assistirem ao doc para flagrarem melhor e mais profundamente do que falo.
A tomada de consciência desse conflito de informações e idéias só veio aparecer para os integrantes do Ratos quando realizaram sua turnêr e observaram que, no berço do punk, as coisas eram completamente diferentes. E isso me fez pensar no tanto de fãs, babacas - qualidade de todo fã – que deveriam passar por esse despertar e ver que no fundo suas sandices efantasias sobre algo inexistente é apenas motivo de piadas infames para os mais experientes e desiludidos.
As pessoas simplesmente ignoram coisas como dinheiro, bastidores, e outras influências externas que não somente a artística e ficam cegas. Como uma torcida organizada de time de futebol onde até homicídio é possível.
"Fã histérico."
E por observações como esta que eu recomendo ao caro amigo(a) leitor, para quem ainda não assistiu, esse documentário foderoso. Ao longo dele você vai tomando insights como este que tive.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 11 de março de 2013
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Quando o assunto é Death Metal, até mesmo os maiores headbangers que curtem variações distintas dentro do vasto mundo do metal exitam em dar sua opinião sobre este gênero tão extremo. Quando conseguimos sanar as dúvidas que as pessoas carregam sobre a construção musical do Death temos então que vencer o próximo estágio. Sanar as dúvidas sobre as letras.
Dependendo da banda as letras variam desde temas politizados como as letras da banda K.A.S.K, ou até a mais grotesca perspectiva sobre a corrupção da carne humana do Cannibal Corpse. O dificil não é fazer com que as pessoas consigam se sentir seduzidas pelas composições do Chuck Shuldner, por exemplo, mas tente convencer alguém de que as letras do Dying Fetus são poéticas!
Mas aqui, neste ponto eu faço uma colocação: Death Metal também é poesia.
Não foi somente o Chris Bernes quem escreveu sobre cabeças sendo esmagadas por martelos, ou vermes em orifícios anais e outras escatologias. Também o fez, muito antes, o nosso grande escritor Augusto dos Anjos, como no seguinte trecho retirado de um poema chamado “Psicologia do vencido”:
“Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!”
Este não um único trecho dedicado aos pensamentos mais sombrios como muitos podem pensar. Na verdade, Augusto dos Anjos dedicou quase toda a sua obra a falar desses temas bizarros dentro da estética modernista, se não me engano.
Notem a semelhança:
Que tal algo mais familiar? Edgar Allan Poe:
“A "Morte Escarlate" havia muito devastava o país. Jamais se viu peste tão fatal ou tão hedionda. O sangue era sua revelação e sua marca - a cor vermelha e o horror do sangue. Surgia com dores agudas e súbita tontura, seguidas de profuso sangramento pelos poros, e então a morte. As manchas rubras no corpo e principalmente no rosto da vítima eram o estigma da peste que a privava da ajuda e compaixão dos semelhantes. E entre o aparecimento, a evolução e o fim da doença não se passava mais de meia hora.”
Ok. Este último não foi um poema, mas um trecho do texto “A máscara da morte escarlate”. Mas basta pesquisar que você encontrará poemas obscuros de autoria do Poe. Este também dedicou toda sua obra a total morbidez.
Provado já está que Death Metal pode ser poético em toda a sua bizarrice. Agora, ainda sim as pessoas possuem uma resistência tamanha em prestar atenção à proposta dessas bandas citadas no inicio do texto, que de cara negam toda uma estética bem comportada e lugar comum com uma produção mais rica e mais original que muito gênero raso espalhado por aí.
As críticas nunca passam de um: “nossa, não entendo nada do que falam” ou “vish, música de maníaco” ou até mesmo “caramba cara, essas guitarras estão emboladas demais pra mim!”
Não quero me demorar nesse post, e não tenho muita coisa a dizer a não ser: É PRECISO MAIS DEATH METAL
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 4 de março de 2013
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"E agora? E o 'leitin' das 'criança'? "
A partir do momento em que você sai da sua banda, mesmo que você tenha fundado ela, muito provavelmente, se por acaso um dia você voltar pra ela, não terá o mesmo status de fundador. Ou melhor, até terá, mas seu salário com certeza será tão raso quanto o de um roadie.
É preciso esclarecer algo. Se tratando de música, mais que expressão cultural, estamos falando sobre MERCADO.
Mês passado uma notícia de que Dave Lombardo deixa o Slayer - por não concordar com a política administrativa da banda - provoca um grande sentimento de perda para os fãs, mesmo isso já tendo acontecido com o integrante.
Esse acontecimento elucida bem que toda banda é como uma indústria que produz de acordo com a demanda, que precisa “fazer dinheiro” e que os colaboradores dessa banda - não importa quão “pica” ela seja - são funcionários nos mesmos moldes do funcionarismo da empresa que tú trabalha. Fãs, patetas que são ainda não se acostumaram com tal fato.
"It's all about money bitches!"
Outro grande exemplo é o Bad Religion, que durante seus 30 anos de carreira trocaram de integrantes mais vezes que a Parris Hilton trocou de calcinhas. O melhor de tudo, que isso nem sempre estraga o som da banda. Quero ressaltar aqui o “nem sempre”, uma vez que grandes merdas nascem do comercial constantemente.
Neste ponto da história, volto a repetir o que eu já disse em uma postagem. É preciso ouvir música com um senso crítico bem trabalhado, pra que numa hora dessas não façamos o que vi acontecer dia desses: Lágrimas saindo dos olhos de um metalhead. Motivo? Lombardo.
Kerry King, que é literalmente o dono da banda, o cara que dá as cartas, apesar de dizer “Nah, não me sinto confortável para seguir sem Dave” é o sujeito que nos bastidores articula essas contratações e demissões. Não somente é o autor dessa demissão do Lombardo como também maquina a saída efetiva do guitarrista Jeff Hanneman, ausente por um demorado tratamento da sua saúde.
Não culpo King. Ele não é o único. Lembram que em uma postagem passada, de minha autoria, onde fala dos Sabbath, e da não presença do Bill Ward? Pois então. Esse fenômeno se repete aí. O Senhor Ward com muita certeza não deve ter gostado de ter que assinar um contrato onde receberia menos que os outros membros da banda e ficou de fora. E isso acontece todos os dias. E nossos queridos músicos não devem ser culpados por isso. Quem faz pacto com o Diabo sabe da alma que tem, e dirigir uma indústria (lê-se banda) não é fácil.
Fiquem aí com uma entrevista do King sobre os acontecimentos:
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
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"Você ainda tem dúvidas de que essa rádio não é rock n' roll?"
Como eu havia dito em um post ou outro de minha autoria, a plasticidade imbecil das músicas popularescas estão afetando também o rock n' roll por conta de os grandes cabeçudos por trás das grandes gravadoras assim gostarem.E como a idiotice do povo parece ser item importante de cesta básica, assim será.
A UOL 89 FM, a rádio rock, continua articulando sua maquinaria de forma que trabalha sistematicamente diluindo a identidade do rock em uma onda alternativa para escravos de modismos, tidos como ouvintes, para que estes ouçam porcarias mascaradas como verdadeiro rock.
Com uma fórmula muito simples ela consegue atrair aos mais incautos. Começa com algum hit-parade que pode ser mantido na set list dentro da perspectiva comercial, como alguma música dos Titãs, ou alguma coisa alegre do Bon Jovi. Depois adiciona mais uns três hist do U2, e transforma o resto da programação em um rock mais “alternativo”. Puxe umas da Alanis Morissette – que nem é tão rock assim - puxe um Smells like a teen spirit. Ou seja, tocam somente os grandes sucessos que explodiram como trilha sonora de algum filme, e depois preenchem o resto da programação com pieguices pretensiosas do estilo indie paspalhão.
Uma rádio rock que não toca rock. Muito pertinente para uma juventude que vive de aparências. Muito estranho uma programação rock n' roll que só toca Muse, Hives e outros, e tenta passar por nós incólumes apresentando medalhões mais que batidos da música internacional. NÃO PASSARÃO! Ainda mais com esses seus “hit-parade” manjados.
Uol 89 FM. Caiu uma vez, por volta de 2006 se não me engano, e cairá novamente.
Agora, se você ainda é um grande fã da 89FM, e acha que perdeu seu tempo lendo este post, tome aí uma foto do Karl Lagerfeld com uma bolsa-bambolê criada para a Channel:
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
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Meus caros maganões do rock, amigos, leitores. "An inside look at Black Sabbath in the Studio" é o nome do vídeo postado a exatos cinco dias atrás no canal oficial do Sabbath. E desde já eu deixo bem claro que não há, em momento algum, a presença do Bill Ward.
Fora isso, o video foi construído de uma forma que nos parece trazer um sentimento de amizade. A câmera andando pelo corredor descendo as escadas do estúdio, indo ao encontro dos integrantes. O som ao longe da guitarra do Iommi sendo dedilhada. Algumas vozes. Em algum momento é mostrado os integrantes reunidos sentados tomando um chá. Iommi com um violão na mão.
Podem me acusar, filisteus, de ser um meloso. Mas que culpa tenho de o vídeo ser fascinante?
O video mostra integrantes bem sóbrios, e por conta da idade, julgo eu, muito sábios, como por exemplo a colocação do Ozzy: "Por muito tempo álcool e drogas foram nossos amigos, e no fim das contas isso nos destruiu".
Eu poderia ficar aqui traçando muitas outras observações, mas prefiro que vocês vejam o vídeo e tirem suas próprias conclusões. O álbum ainda não tem data para lançamento, a única coisa que sabemos é que será em junho.
No post de hoje não é preciso texto longo. Apenas confiram o video e passe o dia desligados do mundo pensando em como será esse novo álbum.
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Renan Tambarussi
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
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"Brad Wilk on drums? G-zuz!"
Após 35 anos sem Ozzy Osbourne, os Sabbath anunciam que a gravação de seu 13ª álbum desde 1978 está completa. E, se você é um fã como eu, a primeira pergunta que deve vir a sua cabeça é: “Como será o som dessa pica que está por vir?” Você pode conferir uma entrevista com os membros da banda e o produtor Rick Rubin pela Rolling Stones aqui, onde podemos encontrar diversas pistas do que podemos esperar.
Sobre o novo álbum, Ozzy já coloca que não foi somente a doença (linfoma) do Iommi que se tornou uma novidade pro Sabbath, mas que ele próprio não é mais o maluco beberrão e drogado que fora nas gravações do “Never Say Die”. Portanto, com essas mudanças, era provável que o Black Sabbath retornasse com uma nova proposta. O que o próprio Ozzy chama de “Satanic Blues”.
Agora, em contra partida, o produtor Rubin faz a colocação de que trabalhou para que esse novo álbum estivesse a altura dos primeiros quatro álbuns que não eram simplesmente um álbum de heavy metal, mas percebia-se neles uma clara influencia do Jazz.
Blues ou Jazz? Ou os dois? O que esperar? O que realmente importa é o fato de o Sabbath ter mostrado ao longo da carreira a habilidade de misturar com maestria esses dois gêneros com um som mais pesado.
Para incrementar as discussões e expectativas sobre o álbum, o baixista Geezer Butler disse que “o processo foi todo muito confuso”, segundo ele “tivemos que desaprender o que nós havíamos aprendido até então”.
O batera usado na gravação foi o Brad Wilk do Rage Against the Machine, e disse ele que o processo foi todo muito tranqüilo, e que estava quase que em sinergia com a guitarra do Iommi. Esses artistas querem mesmo é provocar o público, isso sim.