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George Harrison foi o primeiro ex-Beatle que conseguiu emplacar um grande sucesso nas paradas em carreira solo. Ele veio através da belíssima e espirituosa “My Sweet Lord”,lançada como single em novembro de 1970. Enquanto os 6 continentes derramavam lágrimas por grandes perdas no mundo da música comoJim Morrison, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, o fim dos Beatles e, os mais pessimistas, temiam que o rock estivesse dando seus últimos suspiros, a obra surgiu com uma melodia envolvente que deu as mãos à mensagem contida na letra, fazendo com que a canção chegasse como uma resposta. 


Inspirado por “Oh Happy Day!”, do grupo Edwin Hawkins Singers, George foi compondo ao seu estilo, tendo em mãos um violão. O músico temia que o sucesso fosse recebido de forma negativa, já que fala de Deus, e também porque nunca compôs nada sobre o tema. Sua intenção era fazer sua própria música podendo nela acrescentar sua espiritualidade e visão de fé oriental, levando ao público aquilo em que acreditava. Ele sabia que, assim que chegasse ao mercado, “My Sweet Lord” estaria acompanhada de mudanças em sua carreira. E foi exatamente isso que aconteceu.

No início de 1970, o quarteto de Liverpool ainda não haviam se separado oficialmente, o futuro da banda era incerto. George não tinha a pretensão de gravar um disco, então entregou a música para Billy Preston gravar em seu álbum, intitulado "Encouraging Words", pelo selo Apple, dos Beatles, que foi lançado em setembro do mesmo ano. Porém, a interpretação de Billy não obteve muito sucesso, problema que se agravou ainda mais em novembro, quando Harrison lançou o álbum “All Things Must Pass”, do qual a canção faz parte.

Ela só precisou invadir as emissoras de rádio para virar sucesso no mundo inteiro, chegando ao primeiro lugar em dezenas de países e alcançando o álbum triplo. Após anos vivendo à sombra de Lennon e McCartney, George conquistou seu espaço, ele vivia um momento de enorme alegria e satisfação pelo seu trabalho. Porém, não demorou muito tempo para o início do drama de “My Sweet Lord”.

Em 1971, a editora "Bright Tunes Music", detentora dos direitos autorais de "He’s So Fine", alegou que existia uma grande semelhança entre as músicas e entrou com um processo contra Harrison, acusando-o de “plágio involuntário”. (“He’s So Fine”, de Ronald Mack, foi gravada originalmente pelo grupo "The Chiffons" e lançada em 1962. No ano seguinte, chegou a ficar 4 semanas em 1° lugar nos 100 mais da Billboard. Após esse período de sucesso absoluto, ela foi começando a cair no esquecimento e só era tocada praticamente em rádios de flashback).

O processo se arrastou ao longo de 12 anos. Resumidamente, ele alega que George copiou a música de Ronald Mack. Nas audiências, provas foram apresentadas e analisadas por especialistas e musicólogos que encontraram duas semelhanças entre as canções: uma chamada parte A e a outra parte B.
  • Parte A: 4 repetições das notas G ( Sol ) – E ( Mi ) – D ( Ré )
  • Parte B: G ( Sol ) – A ( Lá ) –C ( Dó ) –A ( Lá ) –C ( Dó ) na qual foi adicionada mais uma nota após o segundo A ( LÁ ), ficando a seqüência G ( Sol ) – A ( Lá ) – C ( Dó) – A (Lá) – D (Ré) – C (DÓ).
E as semelhanças não param por aí.
  • Ambas possuem um refrão título de três sílabas seguido por uma descida da escala maior na chave tônica (Mi Maior:"My Sweet Lord", Sol maior: "He’s So Fine").
  • Em "I Really Want To See You " e "I don’t how I'm gonna do it" há uma subida semelhante. Porém, The Chiffons mantém a tônica G para quatro barras, enquanto George introduz a harmonia mais complexa de um relativa menor (C # m), bem como o motivo de guitarra muitas vezes repetida, fundamental e distintamente inicial de slides. 

Especialistas contratados por ambas as partes, concordaram que tal repetição era incomum. O juiz concluiu que as duas músicas eram praticamente idênticas e estava convencido de que não havia uma apropriação da melodia de “He’s So Fine" para o uso de George, mas isso não serviu como defesa. Ele admitiu ter ouvido a música antes de escrever "My Sweet Lord". Dessa forma, seu subconsciente sabia que a combinação de tons utilizada na sua composição iria funcionar, pois isso já havia sido feito. O processo foi redefinido para um julgamento. Entretanto, ele não foi sobre direito autoral, mas sobre uma indenização. 

O principal argumento utilizado foi o de cópia subconsciente, pois não havia nenhuma evidência de que o plágio foi proposital. Tal posição foi rejeitada pelo tribunal, que apoiou a constatação da infração apontando a Lei dos Direitos Autorais, a qual não exige uma demonstração de “intenção de infringir”. Como as partes não concordavam com o valor da indenização, o processo foi se arrastando por muitos anos. Ele seria fechado em 1981 e pago a ABKCO Records, fundada por Allen Klein, ex-empresário dos Beatles, que comprou uma parcela insignificativa da Bright Tunes e se tornou detentor dos direitos de “He’s So Fine".

Após tantas idas e vindas, o caso finalmente foi encerrado em novembro de 1990, pelo juiz da corte federal americana Richard Owen, que definiu que Harrison ficaria com os direitos autorais de "My Sweet Lord" assegurados para execução e vendagem nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Klein continuaria com os direitos de “He’s So Fine". George teve que pagar royalties à ABKCO como indenização simbólica pelas execuções da música ao longo do processo. 

John Lennon, na histórica entrevista à Playboy em 1980, falou sobre o assunto e criticou o antigo parceiro de banda. Para ele, apenas pequenas mudanças no arranjo teriam resolvido o problema, mas não o fez e acabou pagando o preço. Já o baterista Ringo Starr disse que a melodia é semelhante, porém a versão de George é mais pesada que a das Chiffons e que ele poderia ter feito isso com o original no fundo de sua mente, mas não teve a sorte e alguém que fizesse um teste com ele no tribunal.

Confira um trecho retirado de sua autobiografia:

“Eu fui inspirado a escrever My Sweet Lord pela versão das Edwin Hawkinks Singers da musica Oh! Happy Days. Pensei muito sobre fazer My Sweet Lord ou não. Porque eu estaria me comprometendo publicamente e eu esperava que muita gente pudesse achar isso estranho. Muitos temem as palavras "Senhor" e "Deus" – tomando- as com raiva por alguma razão estranha. O ponto é que eu estava pondo meu pescoço na berlinda , porque agora eu teria que viver para algo, mas ao mesmo tempo, eu pensei 'Ninguém está dizendo isto, eu queria que alguém o estivesse fazendo. Você sabe que todo mundo está fazendo "Be Baby Bop' - Ok, pode ser bom para dançar, mas eu era ingênuo e pensei que poderíamos expressar nossos sentimentos uns aos outros, não suprimi-los e mantê-los unidos. Bem, era o que eu sentia e porque ser infiel a mim mesmo? Passei a acreditar na importância de que se você sente algo forte o suficiente, então você deve dizer isso. Eu não estava consciente da semelhança entre He’s So Fine e My Sweet Lord, quando eu escrevi a canção que era mais um improviso e não tão direta, embora quando a minha versão da canção saiu, um monte de gente por aí começou a falar sobre o assunto e foi então que eu pensei "por que não percebi ? "Teria sido muito fácil mudar uma nota aqui ou ali, e não afetar o sentimento do registro. Eu penso que My Sweet Lord foi um 'disco' bom. Na indústria fonográfica, há "canções" e "discos" - de qualquer maneira eu pensei que o som geral do disco fosse tão importante como as palavras ou melodia - a atmosfera realmente. Eu queria mostrar que "aleluia" e "Hare Krishna" são exatamente a mesma coisa. Eu fiz as vozes cantando "Aleluia" primeiro e depois a mudança para "Hare Krishna" para que as pessoas estejam cantando o Maha Mantra - antes que se soubesse o que estava acontecendo. Eu estive cantando "Hare Krishna" por um longo tempo e essa música foi uma idéia simples de como fazer um equivalente pop ocidental a um "Mantra", que repete e repete sempre, nomes sagrados. Eu não me sinto culpado ou mal sobre ela, na verdade, muitas vidas de viciados em heroína foram salvas por essa musica. Eu sei os motivos por detrás de escrever música em primeiro lugar e seu efeito ultrapassou em muito o incômodo legal".

Em 2001, quando "All Things Must Pass" foi relançado para comemorar o 30° aniversário de lançamento do disco, a música foi regravada e nenhuma das “semelhanças” foi tocada. Mesmo assim, ela não descaracterizou seu sentido, que continuou o mesmo, ou até mais bonito que o da versão original.

Vinil, toca discos e a era do MP3

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 27 de agosto de 2013 0 comentários


O querido dos colecionadores está de volta em um mundo cada vez mais digital. Os discos de vinil estão retornando ao mercado e colaborando com o aumento da venda de toca discos e agulhas. Hoje, os bolachões convivem ao lado de CDs, dividindo espaços em livrarias. Talvez ficando na moda, novamente. Quem sabe?

Ele quase entrou em extinção na virada para o século XXI, mas, para a alegria de muitos, se mantém vivo. De acordo com a revista Modern Times, o retorno “é fruto da iniciativa de DJs e apoiada pelo público interessado em experiências mais 'quentes' e profundas com a música 'disponível em formato analógico'”. O som digital surgiu prometendo garantir aos LPs uma aposentadoria, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

Várias bandas já lançaram e relançaram seus álbuns em vinil. Sejam eles comemorativos ou não, tiveram o luxo de ganhar uma versão em Long Play. Também vale lembrar que os LPs nunca deixaram de existir, sempre estiveram na mira de colecionadores, que dão às bolachas o título de campeã no quesito qualidade sonora. De fato, a qualidade de um MP3, por exemplo, é inferior quando comparada a de um vinil, principalmente se for levantada a questão da portabilidade.

Em um mundo onde segundos são preciosos, muitos não se prendem ao sagrado ritual de ir até uma loja, procurar um disco, voltar para casa, colocá-lo no prato e ouvir prazeirosamente. É mais fácil fazer o download de uma música e deixar no computador até enjoar. Depois basta descartar o arquivo, é simples. É uma prática extremamente comum, principalmente entre os mais jovens, que já nasceram inseridos no contexto da “facilidade”, onde 4shareds e Youtubes da vida estão aí para disponibilizar músicas a qualquer hora e em qualquer lugar.

A pergunta que fica é: o vinil vai voltar com tudo e reconquistar seu espaço, que foi tomado pelos CDs? Creio que não. Duvido muito que haja uma revolução. Enxergo a situação como improvável, tendo em vista que o vinil é um produto muito segmentado, que atende basicamente a um determinado grupo, que, em sua maior parte, é composto por pessoas que viveram a época do boom dos LPs ou por quem, assim como eu, gostaria de ter vivido a magia de ver um disco girando sob uma agulha enquanto a trilha sonora de sua vida se propaga pelo ar.

Os bolachões carregam consigo um aspecto de fetiche, quem ouve, precisa se preparar para fazê-lo. Eles não são como um arquivo em MP3, que pode ser carregado para diferentes lugares em pen drives e celulares, podendo, desta forma, ser ouvidos em movimento. O vinil exige que a pessoa pare em determinado lugar para poder escutar as músicas e que esteja em contato direto com o aparelho. Outro ponto que merece destaque é o preço. O produto, de certa forma, se limita a um nicho de apreciadores que estão dispostos a pagar caro pelos discos de seus artistas favoritos. A saída para o problema está nos sebos, é possível encontrar material em ótima qualidade a preços muito mais baixos, é sempre uma boa opção.

Picture – “Eternal Dark” e um resumo da história da banda

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 20 de agosto de 2013 0 comentários



Década de 1980, o auge da criatividade do universo musical, quando uma safra de bandas invadiu o mundo e álbuns épicos surgiram. A quantidade de lançamentos era imensurável e eles pertenciam a diversos estilos, do new wave ao heavy metal. Muitas delas fizeram sucesso somente com um disco, outras apenas com uma única canção, e depois sumiram para sempre. Talvez seja culpa do grande leque de opções que estava aberto na época. Em meio a esse cenário, estava uma banda holandesa chamada Picture, que surgiu juntamente ao embrião oitentista, para ser mais precisa, em 1979.  

Antes de mais nada, o que me chamou atenção na banda foi a capa do “Eternal Dark”, álbum de 1983. Não fui a primeira e nem a última pessoa que se interessou pelo Picture ao “julgar pelas aparências”, digamos assim. Ao encarar aquela caveira da capa, não consegui pensar em outra coisa, a não ser: “isso deve ser bom, só pode ser bom!”. E, de fato, é!

Ao todo, são nove músicas distribuídas e pouco mais de 38 minutos (que passam voando) de pura energia e excelente qualidade musical. Tudo começa com a faixa-título e seu refrão inconfundível. Ao longo do disco, pode-se perceber um excelente trabalho vocal em faixas como “Into The Underworld” e os fabulosos riffs de “Power Of Evil”. “Griffons Guard The Gold cativa e, em seguida, “Make You Burn” concede ao ouvinte uma viagem dentro de uma batida contagiante. A chave de ouro fica por conta da rápida “Down And Out”, que mostra o peso do som do Picture. É um trabalho que merece atenção.

Nunca vi o CD a venda em lugar nenhum. Nenhum mesmo, não tem. Felizmente, fui presenteada com o arquivo em mp3 (lá estava a foto da caveira) e fui revirar o baú da internet para conhecer mais sobre a banda. Para o bem de todos, o youtube está aí e, nele, o álbum é facilmente encontrado, para ouvir e baixar.


A fama do Picture era a de primeira banda holandesa de heavy metal. Ela se tornou muito popular em países como Alemanha, Itália, México e Japão, e conquistou muitos fãs ao abrir turnês do AC/DC, Saxon (os acompanharam durante toda a turnê européia em 1981), Ted Nugent e Rose Tattoo. Devido ao sucesso e a enorme aclamação do público, os músicos conseguiram assinar um contrato com a Warner, que foi rapidamente rescindido porque a gravadora queria transformar o som da banda para algo mais pop, levando, assim, o Picture até o selo Backdoor Records.

A história da banda possui alguns maus momentos, como uma turnê com o Kiss, que não vingou, e o cancelamento do show que aconteceria no Rock in Rio de 1985. Como muitos outros grupos, o Picture também não tem uma grade disseminação de seu nome dentro do cenário atual, mas está presente na memória de quem viveu a década e também daqueles que têm a oportunidade de conhecer o trabalho que por eles foi deixado.

Após algumas idas e vindas, em 2008 uma formação permanente foi estabelecida com Jan Bechtum, Vreugdenhil Rinus, Bakker Laurens, Rob vanEnkhuizen e Pete Lovell. No ano seguinte, lançaram o “Old Dogs, New Tricks”, que contém 12 músicas de todo o material novo que foi lançado 30 anos a partir da primeira formação do Picture. Ainda em 2009, Jan Bechtum anunciou sua saída e foi substituído por Peter Bourbon. Em 2010, Rob também saiu, dando lugar a Gert Nijboer.

Ensaio fotográfico de Abbey Road completa 44 anos

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 13 de agosto de 2013 0 comentários

Quem não conhece a foto na qual quatro rapazes atravessam uma faixa de pedestres? Certamente, você já sabe de que banda estou falando. Maiores detalhes são desnecessários quando se trata de um dos cliques mais icônicas do universo musical mundial, ele é facilmente lembrado.


Conhecida por milhões de pessoas dos quatro cantos do planeta, a foto da capa do álbum “Abbey Road”, dos Beatles, está completando 44 anos. Mesmo quase meio século depois, ela é conhecida, reconhecida e querida por pessoas de diferentes faixas etárias, raças, crenças e nacionalidades.  


Tudo aconteceu no dia 8 de agosto de 1969, sob as lentes do fotógrafo escocês Iain Macmillan, também amigo de John e Yoko. O quarteto de Liverpool se encontrou para um de seus últimos ensaios fotográficos — o último a ser utilizado em um álbum. Naquela época, reunir todos os membros da banda era uma árdua tarefa, que sempre acabava gerando um grande desgaste para os rapazes.  


A ideia de atravessar a rua, que também dá nome aos estúdio onde praticamente toda a obra foi gravada, foi de de McCartney. A sessão teve apenas seis fotos com os músicos sobre a faixa, e uma delas foi eleita para compor a capa do 12º álbum lançado pela banda. Linda McCartney também esteve presente e fez algumas fotos dos preparativos.




Rascunho original feito por Paul

Desde então, a Abbey Road nunca mais foi a mesma. A rua se tornou um famoso ponto turístico, parada obrigatória para beatlemaníacos do mundo inteiro, onde os pedestres fazem questão de repetir a famosa travessia.

Com o passar do tempo, inúmeros detalhes foram destrinchados por fãs. Paul Cole, velhinho parado ao fundo da imagem, já foi encontrado e entrevistado; a placa do Fusca, de número LMW 281F, foi roubada diversas vezes até o carro entrar em leilão em 1986 e ser vendido por £2.530. Hoje, ele está no museu da Volkswagen, na Alemanha.


  


































Coincidências Musicais – The Who? Não, é One Direction

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 30 de julho de 2013 0 comentários

O quadro Coincidências Musicais está de volta e, coincidentemente ou não, o foco é a banda One Direction. Sim, mais uma vez! Eles não param de utilizar riffs famosos do cenário roqueiro em suas canções. A introdução de “Shoud I Stay Or Should I Go?”, do Clash, e a lendária batida de “We Will Rock You”, do Queen, são dois dos exemplos de plágio. Isso sem contar que já foram processados pela Cantora Whigfield, que foi sucesso na década de 1990. O último post sobre o assunto é do nosso amigo Pedro Sodré e você, leitor da Comissão, pode conferir aqui. O alvo da vez são os britânicos da banda The Who.


Para a mortal que vos escreve, a introdução de “Baba O'Riley” é uma das mais emblemáticas de uma galáxia chamada rock 'n' roll. Nela, foi usado um sintetizador, que foi adotado por diversas bandas de antigamente. A música foi gravada em 1971 e faz parte do clássico álbum “Who's Next”, aquele que tem uma capa que mostra os integrantes da banda urinando em um monólito de cimento, localizado numa paisagem cinza e solitária. Também vale citar também que a canção é a música tema de CSI: New York. 


Agora confira a música do One Direction (a música só começa no segundo minuto de vídeo):


A introdução termina e, para o bem ou para o mal, tudo se transforma em uma música típica da boyband.

Longe de fazer uma análise mais profunda sobre o trabalho dos garotos, que de forma alguma me agrada, eu apenas lamento. Não por existir algo que não agrade aos meus ouvidos, pois há quem goste e o que devo fazer é respeitar. Mas lamento pelo o rumo que a música atual está tomando. Obviamente, não é algo que deva ser generalizado, assim como o plágio não é algo que surgiu agora, mas o que é notório é que, cada vez mais, as bandas se importam menos em inovar, em produzir conteúdo diferente, até mesmo misturando estilos, como fez o Sambô, por exemplo, o que até já foi tema de um post do querido Jack Bracan.


É a mesma fórmula: um rosto bonito para atrair fãs adolescentes e vender. Eles podem ter talento? É claro que sim! Mas, infelizmente, ele não é a chave da porta do sucesso de um músico, hoje em dia. Muito menos a criatividade, vide os plágios que o One Direction faz. E os riffs? E a melodia? Não parecem sempre a mesma coisa? A música muda, mas, muitas vezes, a impressão que tenho é a de que estou ouvindo sempre a mesma coisa, é tudo muito igual. O que vale também para as letras e temas abordados.  

A pergunta que fica é: o que eles têm a dizer com suas canções?

Me ajudem, pois ainda não encontrei resposta para tal questão.



"Now What?", o novo álbum do Deep Purple

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 23 de julho de 2013 0 comentários


Após oito anos de espera, os fãs foram contemplados com o lançamento do novo álbum do Deep Purple, “Now What?”. O 19º disco de estúdio da banda traz no nome uma pergunta que parece recorrente depois de mais de 40 anos de estrada. É interessante acompanhar o que acontece com nomes como este, que surgiram no cenário musical algumas décadas atrás.


Antes mesmo de pegar a embalagem do CD, abrir e colocar em algum aparelho para tocar (ou de descompactar o arquivo rar. para ouvir), é preciso desconectar-se do passado da banda, dos clássicos como “In Rock”, “Burn” e “Machine Head”, lançados da década de 1970, e pensar no presente. O Deep Purple, assim como outras bandas de peso, tem, de fato, discos que marcaram fortemente a história do rock, mas também deve-se levar em consideração que muitos anos se passaram.  

Não se trata de um trabalho que surgiu apenas como um sinal de vida da banda, os músicos estavam com fome de novidades. Justamente por se desprender do passado, a banda lançou um de seus melhores álbuns, com uma excelente proposta. Ian Gillan, Roger Glover, Paice, Don Airey e Steve Morse não caíram no conhecido erro de tentar reviver os velhos tempos e foram felizes, já vi diversos desastres musicais acontecerem por tentativas frustradas de músicos tentarem fazer o mesmo que há 20, 30 anos atrás. A produção é de Bob Ezrin, que já esteve por trás de trabalhos emblemáticos, como “The Wall”, do Pink Floyd. A banda foi para Nashville, Tennessee, onde Ezrin mantém suas instalações.  

Pode-se encontrar vestígios do “velho Purple” no início do álbum, nos solos da primeira faixa, “A Simple Song”, o que também é notório em “Body Line” e “Après Vous”. Em “Weirdstan”, fica nítido um “novo Purple”, a canção tem um balanço pesado e envolvente. Essa “nova banda” também pode ser facilmente ouvida em “Uncommom Man”. “Out Of Hand” traz uma psicodelia e “Vincente Price” é totalmente sombria, em climas de terror, o que é bem característico de Airey. Em “Hell To Pay”, assim como em outras canções, é possível ouvir um Purple rejuvenescido, como não acontecia há muito tempo.

As faixas comprovam o que foi dito em entrevistas: foi um trabalho feito com paixão e comprometimento. A sonoridade rica e espontânea de “Now What?” é cativante. É um álbum superior aos trabalhos anteriores da banda, com pitadas de diferentes estilos e histórias, o que só músicos com anos e mais anos de experiência poderiam fazer.

“Now What?” é um disco que está gerando muita reclamação por parte dos saudosistas de plantão, mas, apesar disso, conseguiu mostrar que, após décadas, o Purple vem mantendo sua qualidade com grande liberdade criativa, como há muito tempo não se ouvia. Gillan soube usar sua voz com sabedoria, Glover mantém a pulsação do groove. a bateria de Paice é magnífica, Morse entra com inspirados riffs e Airey hipnotiza o ouvinte com os solos. As músicas carregam consigo uma certa magia e despertam a curiosidade e o desejo de ouvi-las ao vivo.  

É um excelente álbum, moderno, com uma sonoridade bastante interessante e arranjos complexos. Vale a pena conferir, sem medo. Vida longa ao Purple!

Faixas:
01. A Simple Song
02. Weirdistan
03. Out of Hand
04. Hell to Pay
05. Body Line
06.Above and Beyond
07. Blood From a Stone
08. Uncommon Man
09. Après Vous
10. All The Time In The World
11. Vincent Price
12. It Will Be Me (Bonus Track)



Aproveitando o gancho, vou compartilhar com vocês, leitores da Comissão, uma entrevista que faz parte de um material interessante que encontrei na edição de Julho/2013 do Almanaque da Saraiva. A capa dele é com o Deep Purple e, além da exclusiva com o grande e respeitável Gillan, traz algumas curiosidades e um resumo da trajetória da banda.  


Almanaque: O que levou o Deep Purple a fazer um intervalo tão longo antes de lançar um novo disco?
Ian Gillian: Simplesmentenão havia urgência em gravar, embora tivéssemos muito material. Faltava uma voz para decidir: é hora de gravar. Foi o produtor do disco, Bob Ezrin, quem foi atrás de nós durante uma turnê no Canadá, em fevereiro de 2012, e começou a conversar sobre um novo disco.

A: Você sempre foi muito crítico em relação à sonoridade da banda nos álbuns do Deep Purple. Agora, declarou que “Now What?” alcançou um nível que o deixou satisfeito. O que aconteceu?
IG: Esse é um detalhe que sempre me incomodou. Nós somos uma banda ao vivo, com vigor, e nem sempre senti que nossos discos passam isso. É algo na sonoridade, algo que se perde, talvez a tecnologia, não sei. Fora “Made in Japan” (disco ao vivo, gravado em 1972), que para mim é nosso melhor disco, nunca conseguimos alcançar essa sonoridade ideal, a não ser agora. E nós não mudamos. Continuamos tocando como antes. Então, a única resposta que eu encontro é nosso produtor, que conseguiu esse resultado maravilhoso. Ficou perfeito.

A: Já são 42 anos desde o lançamento de “Smoke On The Water”, um hit que vocês também nunca tiraram do set list dos shows. Essa canção ainda é muito especial para a banda?
IG: Essa música se tornou parte da banda, nunca me cansei dela. “Smoke On The Water” é uma música simples, um blues, um bom riff, fácil de tocar. Todo mundo aprender. E nos shows, nós temos que combinar as coisas. O público quer ouvir as músicas que gosta e sabe cantar. Então fazemos uma mistura. Algumas músicas não tocam no rádio, por exemplo, mas os fãs adoram. Temos que tocá-las.

A: Vocês têm parceiros musicais de longa data, como Roger Glover (baixista do Deep Purple) e o Tony Iommi (Black Sabbath). Qual o segredo de uma boa parceria?
IG: No final, é tudo uma questão de química, assim como nas relações do dia a dia. Fiz canções incríveis não só com eles, mas com outros parceiros. Isso acontece quando você se dá bem com a pessoa. Esse é o segredo.

A: Vocês vêm frequentemente ao Brasil. Tem algum programa favorito quando estão por aqui?
IG: Bem, são mais de 40 anos de banda. Somos uma banda que gosta de tocar ao vivo, e ir ao Brasil é sempre um prazer. No Rio, gosto de ir à praia e tomar caipirinhas. Agora tenho amigos lá e em São Paulo. Hoje aproveito para encontrá-los, tomar uma cerveja e colocar o papo em dia.

A: Soube que está escrevendo um livro. É verdade? É sobre música?
IG: É, são dois na verdade. Uma mais político, outro filosófico. Mas estou sempre trabalhando em tantas coisas... Eu gostaria de nunca ter dito isso. Agora todos estão esperando e eu vou ter que terminar (risos). Vou lançá-los uma semana depois que eu morrer (risos).



 Fonte: Almanaque Saraiva - Julho/2013

Paralamas: 30 anos de sucesso

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 9 de julho de 2013 0 comentários


Poucas são as bandas que têm a capacidade de se manter firme no cenário musical, arrastando multidões para seus shows após anos de carreia. No universo brazuca, temos como exemplo Os Paralamas do Sucesso, que estão completando 30 anos de estrada em plena forma. No total, foram 10.958 dias, o que equivale a 22 anos com 365 dias e oito anos bissextos, com 366 dias cada, no período de 1983 a 2013. Para comemorar as três décadas, a banda saiu em turnê pelo Brasil e está demonstrando a boa e velha porta de entrada para o sucesso: talento. Mas talento de verdade, a qualidade musical deles é altíssima, os músicos evoluíram bastante ao longo dos anos.

Considerados como parte da “Turma de Brasília”, por terem vivido e criado amizade com as bandas locais, os Paralamas formaram a banda no Rio de Janeiro. Herbert Vianna e Bi Ribeiro se conheceram em Brasília, quando eram crianças, por serem vizinhos. Em 1977, se reencontraram no Rio, no colégio militar, e resolveram formar a banda. Dois anos depois, o baterista Vital se uniu ao grupo. Se separaram em 1979 para prestar vestibular e, em 1981, se reuniram.

O nome “Paralamas do Sucesso” foi invenção de Bi. Inicialmente, Herbert só tocava e o grupo tinha dois cantores: Ronel e Naldo, que saíram em 1982, mesmo ano em que Vital foi substituído por João Barone, após faltar a uma apresentação na Universidade Rural do Rio. O ex-baterista foi protagonista de “Vital e sua moto”, música que foi muito tocada durante o verão de 83. A primeira grande apresentação dos rapazes foi quando abriram um show para Lulu Santos no Circo Voador.

A estréia foi com “Cinema Mudo”, em 1983, e, desde então, ocupa posição de destaque dentro do rock nacional. No ano seguinte, lançaram o álbum “O Passo do Lui”, que abraçava uma sequência de sucessos — “Óculos”, “Me Liga”, “Meu Erro”, “Romance Ideal” e “Ska”), que foi aclamado pela crítica, levando a banda a tocar no Rock in Rio, show o qual foi considerado um dos melhores da primeira edição do festival.

Álbuns e mais álbuns foram lançados, e, consequentemente, fãs foram conquistados pelo ritmo dos Paralamas. Com um amplo leque de opções, eles estão percorrendo diversos estados brasileiros com um show que reúne os maiores sucessos da banda em um repertório com mais de 30 músicas. De fato, conseguiram passar a carreira a limpo através da turnê. O setlist ainda conta com sucessos de bandas como Led Zeppelin, The Clash, dos ingleses do The Police, que foram grandes influenciadores do trio, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor e Lulu Santos.  

Tive a oportunidade de ir a um dos shows que eles fizeram aqui no Rio de Janeiro e posso comprovar: os caras estão cada vez melhores. Eles conseguiram alinhavar as músicas de uma forma única, fazendo com que o show não tenha nenhum ponto mais baixo, posso dizer que a apresentação deles não está fazendo aquela clássica curva, com pontos mais fortes nas pontas, é algo linear, que faz o público cantar e se emocionar do início ao fim. Mais rock em certos momentos, mais afro-caribenhos em outros, conseguem fazer com que todos soltem a voz e cantem junto o tempo todo.




Tudo isso sem contar com a parte visual do show, que é um espetáculo à parte. Um telão de led compõe o cenário e, nele, são projetadas fotos, vídeos, trechos de clipes de músicas que estão no repertório e imagens marcantes da carreira da banda. A produção caprichou nos elementos visuais. Telão, luzes e som se unem em uma combinação perfeita, levando um show inesquecível aos fãs, sejam eles jovens os mais antigos, que acompanham a banda desde o início da carreira.



O dia a dia da turnê vai virar documentário e será exibido no Canal Bis, com perspectiva de lançamento em DVD até o fim deste ano. Os Paralamas do Sucesso também estão preparando o relançamento da discografia em uma caixa, que trará ainda um disco com faixas não lançadas nos álbuns oficiais. “O Passo do Lui” e “Selvagem” terão reedição em vinil.

E fica a dica da Comissão, é show para assistir mais de uma vez e enlouquecer com a banda, com as linhas de baixo de Bi, com a bateria de Barone e com Herbert e sua guitarra.

Aqui vai uma amostra grátis do espetáculo:


Mão chifrada, o “símbolo do rock”

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 2 de julho de 2013 0 comentários



Estilos, geralmente, vêm acompanhados por símbolos, marcas, enfim, por alguma identidade e algo que faça com que eles sejam facilmente diferenciados. O famoso gesto feito com as mãos — os “chifres do rock” — têm suas origens nas religiões orientais, tais como o budismo e o hinduísmo, e foi muito usado para afugentar demônios e eliminar obstáculos do caminho.


Sua popularidade se deve a Ronnie James Dio, que imortalizou a “mão chifrada” no cimento da Calçada da Fama do Rock. Quando substituiu Ozzy Osbourne no Black Sabbath, em 1979, o músico começou a fazer o gesto em shows. Ozzy levantava os braços e simbolizava um “V” com os dedos. Diferentemente, Dio queria ter um sinal com o qual se identificasse com os fãs, então adotou um que foi muito utilizado por sua avó italiana, que acreditava que era capaz de afastar o mau olhado.  



No universo musical, foi rotulado como “símbolo do rock” e, primeiramente, utilizado pelos Beatles, na capa do álbum “Yellow Submarine”. O gesto, que é utilizado mundo afora por músicos que vão do quarteto de Liverpool a Marilyn Manson e seus respectivos fãs, é atribuído a questões demoníacas e malignas, porém, seu verdadeiro significado diverge dessas atribuições.  


O sinal dos chifres (“the devil's homs”) alcançou um nível de popularidade tão elevado que passou a ser usado também por políticos e esportistas. A banda Coven também fez o gesto no verso da capa de Witchcraft Destoys Minds & Reaps Souls, de 1969. A “mão chifrada” também aparece no “Love Gun”, do Kiss, de 1977.

Assim como muitos outros fatores, devemos considerar a cultura de quem o interpreta. Os significados são múltiplos. Certo dia, a colunista da Comissão que vos escreve estava passeando pelo fantástico mundo da internet e descobriu que faz feitiçarias e louva um tal de Morlock, ao fazer tal gesto com as mãos. Pelo menos é o que diz o rapaz do vídeo.


Seria Morlock? Ou Malocchio seria o correto? Fico com a segunda opção, já que vem do italiano e significa “mau olho”, ou o “mau olhado”, aportuguesando a expressão. Em suma, voltamos ao início do post, que diz que é um sinal para afastar maus espíritos, inveja e mau olhado, como o Dio o usava. Com as próprias palavras do músico:




 “I was in Sabbath at the time. It was a symbol that I thought was reflective of what that band was supposed to be all about. It's not the devil's sign like we're here with the devil. It's an Italian thing I got from my grandmother called the “Malocchio”. It's to ward off the Evil Eye or to give the Evil Eye, depending on which way you do it. It's just a symbol but it had magical incantations and attitudes to it and I felt worked very well with Sabbath. So I became very noted for it and then everybody else started to pick up on it and away it went. But I would never say I take credit for being the first to do it. I say because I did it so much that it became the symbol of rock and roll of some kind” — Ronnie James Dio






Então, você, leitor do blog, se pergunta quem seria esse “Morlock”. Os Morlocks são personagens criados por H. G. Wells, escritor britânico, para o livro “A Máquina do Tempo”. Na história, são seres humanoides que vivem em subterrâneos dos anos 8.028. Eles descenderam de seres humanos que se abrigaram no subterrâneo no período pós guerra nuclear que devastou o mundo. Ao longo de mais de 800 mil anos de evolução, esses humanos deram origem à uma nova espécie: os Morlocks. Essas criaturas são pálidas devido à falta de melanina, sensíveis à luz solar e quase cegos, se alimentam de Elois, outra raça derivada dos humanos que ficaram na superfície.

Ou seria apenas um sinal para soltar a teia?  


Beatles na tela da Caixa Cultural

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 28 de maio de 2013 0 comentários

Em comemoração aos 50 anos da banda, mostra vai exibir 12 filmes na Caixa Cultural do Rio de Janeiro.



A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 4 a 9 de junho, a mostra 50 anos de Beatles: uma história de cinema”, com a exibição de 12 filmes que ilustram a trajetória da banda, sua importância na história da música mundial e o fenômeno conhecido como beatlemania. O projeto tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

Serão exibidos sete filmes de ficção, que fantasiam as histórias por trás de grandes canções dos Beatles, e cinco documentários, que tentar decifrar 50 anos de sucesso. A mostra vai revelar quanto a banda se transformou musicalmente ao longo dos anos, trazendo, em cada novo disco, propostas mais complexas e revolucionárias, passando de Reis do Iê-iê-iê para um dos símbolos da revolução cultural da década de 1960.

Os Beatles revolucionaram o mercado audiovisual lançando, eles mesmo, quarto filmes de ficção, que associam a narrativa cinematográfica com suas músicas. Os dois primeiros filmes – Os Reis do Iê-iê-iê, de 1964 e Help!, de 1965 – dirigidos por Richard Lester, estão em cartaz na mostra, assim como os documentários What's happening” The Beatles in USA, dos diretores Albert e David Maysles, e George Harrison: living in the material world, de Martin Scorsese.

“Quando se pensa em Beatles, além da música contagiante, se pensa no estilo, nas figuras, nos movimentos e nas cores que pintaram a sua história, criando um terreno extremamente fértil para o cinema”, comenta a curadora da mostra, Susanna Lira. “A partir deste universo, que não foi feito só de fantasia, mas de muitos conflitos entre os integrantes, o cinema encontrou material suficiente para criar dramas, romances, documentários e musicais”, completa.

Além da exibição dos filmes, a mostra realizará a palestra “Beatles através do cinema – cinco décadas de som e imagem”, com o ator e beatlemaníaco Fernando Ceylão, no dia 6 de junho, às 19h30, com entrada gratuita.  


Programação:

4 de junho
16h – “O Garoto de Liverpool”, de Sam Taylor-Wood (Canadá/Inglaterra, 2009, 98 min, 14 anos)
18h – “Os Reis do Iê, Iê, Iê”, de Richard Lester (Inglaterra, 1964, 87 min, Livre)

5 de junho
16h – “Imagine – John Lennon”, de Andrew Solt (EUA,1988, 100 min, 14 anos)
18h – “Os Cinco Rapazes de Liverpool”, de Iain Softley (Alemanha/Inglaterra,1994, 100 min, 14 anos)

6 de junho
16h – “Febre de Juventude”, de Robert Zemeckis (Inglaterra, 1978, 104 min, 12 anos)
18h – “What's happening! The Beatles in USA”, de Albert Maysles e David Maysles (EUA, 1964, 81 min, 12 anos)
19h30 – Palestra: “Beatles através do cinema – 5 décadas de som e imagem cinema” – Palestrante: Fernando Ceylão (ator, autor, diretor e beatlemaníaco)

7 de junho
16h – “Estados Unidos X Lennon”, de David Leaf e John Sheinfeld (EUA, 2006, 99 min, 14 anos)
18h – “Capítulo 27”, de Jarrett Schaeffer (EUA, 2008, 84 min, ficção, 16 anos)

8 de junho
14h – “Help!”, de Richard Lester (Inglaterra,1965, 90 min, Livre)
16h – “Lennon NYC”, de Michael Epstein (EUA, 2010, 114 min, 12 anos)

9 de junho
14h – “George Harrison: Living in the Material World” (*), de Martin Scorcese (EUA, 2011, 208 min, 14 anos)
(*) Este filme será exibido em 2 partes, com intervalo de 10 minutos.
18h – “Across the Universe”, de Julie Teymor (EUA, 2006, 133 min, 10 anos)

Serviço:
Mostra “50 anos de Beatles: uma história de cinema!”
Data: de 4 a 9 de junho de 2013 (terça-feira a domingo)
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal
Programação completa da CAIXA Cultural: 
www.caixa.gov.br/caixacultural


FONTE: Caixa Cultural

Segredos Musicais – One (Metallica)

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 23 de abril de 2013 0 comentários


Muito se engana quem diz que as músicas do Metallica, assim como de outras bandas de Heavy Metal, não passam de gritos ensurdecedores, que causam dor de cabeça. “One” é um entre tantos exemplos de canções que mostram que o gênero pode andar de mãos dadas com a história e a filosofia, carregando consigo muito conteúdo, além de arranjos magníficos. Hoje, ela é o tema do quadro Segredos Musicais.



A música, que é faixa do álbum “... And Justice For All”, foi inspirada no livro “Johnny Got His Gun”, de Dalton Trumbo. A obra conta a história de Joe Bonham, um soldado que teve o corpo dilacerado por uma explosão durante a 1ª Guerra Mundial. Sem pernas, braços e boa parte de seu rosto, Joe não conseguia mais se comunicar com o mundo exterior, embora seu cérebro esteja intacto e, por isso, consiga pensar e raciocinar com clareza. Um ano depois, o próprio autor dirigiu a adaptação para o cinema (no Brasil, intitulada “Johnny Vai à Guerra”), da qual foram retiradas várias cenas para a construção do videoclipe de “One”. 



O VHS de lançamento, “Metallica: 2 of One”, de 1989, continha as duas versões do clipe e uma entrevista de cinco minutos com Lars Ulrich, dizendo que o objetivo de James Hetfield, ao compôr a música, era mostrar um ser humano vivendo em total isolamento — uma mente sadia, aprisionada dentro de seu corpo, sem possibilidade de comunicação com o mundo exterior. Vale a pena abrir aqui um parênteses que nos permitirá navegar um pouco no oceano da Filosofia.


Há quase 400 anos, o tema mostrando pelo Metallica serviu como base para a criação da mais famosa frase da história da Filosofia, de René Descartes: “Penso, logo existo”. René escreveu um texto chamado “Discurso Sobre o Método”, no qual questiona “como podemos saber se o mundo que percebemos através de nossos sentidos realmente existe? Como diferenciar 'coisas reais' de coisas que são sonhos ou pensamentos? Como confiar nos nossos sentidos?”. O filósofo respondeu tais perguntas imaginando o exercício de se desapegar de todos os seus sentidos, como ele mesmo disse:

“Considerando que todos os pensamentos que temos quando estamos acordados também podem nos ocorrer quando dormimos, sem que nenhum deles, naquele momento, seja verdadeiro, eu resolvi fingir que todas as coisas que já entraram em minha mente não era mais verdadeiras do que as ilusões dos meus sonhos” (Discurso Sobre o Método)

Desta forma, Descartes se transformou em alguém igual ao personagem de “One”: uma pessoa que não tem mais os sentidos sensoriais para interagir com o mundo exterior; alguém que tem apenas sua mente. Sem nenhuma informação vinda de fora, sem nenhum pensamento que possa ser construído em cima de algo percebido pelos sentidos, o que resta? Quase nada, além de uma certeza, que é a de que a pessoa que está fazendo todas essas perguntas existe. Afinal de contas, para duvidar de tudo isso, deve haver algo que duvide de tudo. Assim, surgiu o primeiro princípio da Filosofia: “Penso, logo existo”.

Fechando o parênteses e voltando a falar sobre a canção, sabe-se que ela foi a primeira da banda a ganhar um vídeo. Dirigido por Boll Pope e Salomon Michael, ele estreou na MTV em janeiro de 1989. O videoclipe foi filmado em Long Beach, Califórnia, e apresenta a banda tocando a música em uma espécie de armazém, além das cenas do filme citadas anteriormente. Ele foi classificado em 38º no Rock in the Net: MTV: 100 Greatest Music Videos e alcançou a primeira colocação no Fuse's No. 1 Countdown: Rock and Roll Hall of Fame Special Edition.

Ao longo dos primeiros segundos da canção, há uma série de efeitos sonoros com um tema de batalha, uma barragem de artilharia e pode-se ouvir helicópteros, até que é iniciado, de forma lenta e gradativa, um solo de guitarra. A música vai acelerando após a entrada da bateria que, em certo momento, simula rajadas de metralhadora. “One” está na lista de itens que não podem faltar no setlist do Metallica. Após a pirotecnia e aos sons de guerra, “One” termina com uma sequência brutal: “has taken my sight, taken my speech, taken my hearing, taken my arms, taken my legs, taken my soul, left me with life in hell”. No vídeo, é neste momento que os médicos percebem que Joe ainda pensa, ou seja, existe. Confira:







Novo álbum de Paul McCartney e shows no Brasil: o que esperar?

Postado por Renan Tambarussi quinta-feira, 18 de abril de 2013 0 comentários



Após uma série de especulações, as apresentações de Sir Paul McCartney no Brasil foram confirmadas. Seguindo a ideia de tocar em estados nos quais ainda não pisou, desta vez o músico estará em Minas Gerais, Goiás e no Ceará. O palco da estéria mundial da nova turnê de McCartney, “Out There”, estará na capital mineira. Pela primeira vez, uma cidade da América do Sul será o ponto de início de uma turnê do músico.  

Em Belo Horizonte, ele terá motivos de sobra para comemorar: os 50 anos do primeiro álbum dos Beatles e as quarto décadas de “Band On The Run”, que foi um marco na banda que formou após o fim do quarteto de Liverpool, os Wings. Certamente, essas datas influenciarão no setlist. Apesar de o próprio McCartney já ter afirmado que uma mudança é difícil, pois existem músicas que não podem ficar de fora, acredito que ele irá surpreender os fãs na escolha do repertório. 


O nome do britânico não sai da boca do povo. Nos últimos dias, surgiram diversas afirmações a respeito do novo disco de Paul McCartney e algumas delas foram desmentidas. O que povoou inúmeras páginas foi a notícia sobre as supostas referências que estariam presentes no álbum. Diferentes fontes diziam que a inspiração do beatle se baseava a nomes consagrados no universo musical como Bruce Springsteen, Eric Clapton e Nirvana, incluindo o funk carioca. Bastou a palavra “funk” dividir espaço com McCartney em uma mesma matéria para pessoas surgirem com pedras na mão, o criticando acidamente.  

Vale a pena abrir um parênteses a respeito das críticas: considerando que ele é um músico com meio século de experiência, creio que devemos esperar e ouvir. Verdade ou mentira, se McCartney resolveu beber na fonte do “batidão carioca”, no mínimo, deve ter feito uma boa pesquisa sobre o gênero. Existe muita coisa ruim no funk? Existe. Ainda mais hoje em dia, o gênero deixou de representar a realidade das comunidades do Rio de Janeiro para fazer apologia ao sexo há tempos, pelo menos é o que acha a mortal que vos escreve. Mas quem foi que disse que não há algo proveitoso que possa ser extraído dele?  

O porta-voz do músico afirmou que as informações que estão circulando na rede são falsas, assim como uma lista com músicas que fariam parte do disco. Entretanto, dentre os nomes das possíveis faixas, “Hosanna” pode ser, de fato, uma das novas músicas de McCartney, ela foi mencionado por Mark Ronson, que está trabalhando na produção do álbum. Duas músicas da falsa lista apresentam artistas convidados: “Down the Road” teria a participação de Dave Grohl, Pat Smear e Krist Novoselic, ex-membros do Nirvana; e “Eye Of The Storm” seria fruto de uma parceria com Springsteen.

Entre boatos e verdades, afirmações e fatos desmentidos, há um nome que aparece há anos em listas falsas de músicas de McCartney: “Blue Skies”. Seu último disco solo foi “Kisses On The Bottom”, que saiu no ano passado. O britânico voltará ao Brasil em maio, com a turnê “Out there”. Estão confirmadas apresentações em Belo Horizonte (Mineirão), Goiânia (Estádio do Serra Dourada) e Fortaleza (Castelão), nos dias 4, 6 e 9, respectivamente.  




Novo álbum do U2

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 2 de abril de 2013 0 comentários



“Ten Reasons To Exist” é o nome do novo álbum da banda irlandesa, que seria uma homenagem aos 36 anos de U2. Apesar de o próprio Bono afirmar que esse será o título, muitos fãs não acreditam. A obra ser concluída no fim do ano, segundo o baixista da banda, Adam Clayton.

Uma suposta foto da capa foi divulgada ontem pelo site U2 Place. Se isso procede ou nada mais é que uma brincadeira de 1º de abril, não sabemos. Mas, particularmente, gostei muito da imagem. Ela seria uma arte do pintor irlandês Louis Le Brocquy, intitulada “Army Massing”, de 1969. De acordo com os fãs italianos, uma fonte da gráfica teria passado a informação.


Costumo dizer que o U2 é do tipo de banda que gera sentimentos extremos em quem ouve: ou amam ou odeiam. Independente da data de lançamento, os fãs podem esperar muita coisa boa, inclusive uma passagem dos músicos pelo Brasil. A banda e sinônimo de especulações, mas sabemos que ao menos uma apresentação em terras tupiniquins é algo bem provável.  

A última vez em que os Irlandeses se apresentaram no país foi no estado de São Paulo, em 2011, com a 360 Tour, que arrastou multidões dos quarto cantos do Brasil para a terra da garoa.


“Please, Please Me” - Primeiro álbum de estúdio dos Beatles comemora 50 anos

Postado por Renan Tambarussi terça-feira, 26 de março de 2013 0 comentários



Do que uma música precisa para ser ouvida 50 anos depois? Poucos são os artistas que têm a receita que une um talento grandioso com a oportunidade de mostrar seu trabalho aos quatro cantos do planeta e, os Beatles, estão nessa seleta lista. O quarteto inglês se infiltrou por diversas gerações e, meio século depois, ainda é parte da vida de muita gente.  

Menos de dez horas foram necessárias para que “Please, Please Me” fosse gravado e mixado, ao vivo, nos estúdios de Abbey Road. Precisamente, foram nove horas e 45 minutos. O álbum, que surgiu na sequência do sucesso do single homônimo, que levou os Beatles ao topo das paradas britânicas, foi lançado em 22 de março de 1963.


A banda tinha uma carta na manga: quando gravaram, já eram artistas experientes, versados em soul, gospel, r'n'b, blues americano e rock and roll. Os garotos sabiam como as canções eram feitas porque, como não tinham dinheiro para comprar partituras, decifravam letras e descobriam as harmonias ouvindo os discos repetidas vezes. Eles também já sabiam como conquistar uma platéia, carregavam na bagagem muitas apresentações para adolescentes deslumbradas, eles sabiam o que fazer em cima do palco.


Como todos os outros álbuns de estúdio da banda, ele chegou ao primeiro lugar das paradas logo após o lançamento. Produzido por George Martin, ele buscou reproduzir a sonoridade dos shows dos Beatles no Cavern Club. Entre as faixas estão algumas das melhores composições de Lennon e McCartney e alguns covers que ilustravam as influências que guiavam os rapazes naquela época.

Quando os rapazes se juntavam na casa de Paul para escrever suas músicas, reagrupavam acordes familiares e transformavam em algo que fosse deles. Dessa forma, o riff de baixo de uma música de Chuck Berry foi incorporado a “I Saw Her Standing There”. Outra inspiração foi o som da voz de Roy Orbison, presente na faixa título.
Em comemoração aos 50 anos do primeiro álbum dos garotos de Liverpool, a Comissão vai mostrar fatos e curiosidades existentes por trás de algumas faixas.

“I Saw Her Standing Here”
Ela fincou de vez os Beatles nos salões de baile adolescentes. A contagem “one, two, three, four” foi mantida para dar a impressão de um registro ao vivo. Originalmente, a canção era intitulada “Seventeen”.

“Misery”
A faixa foi escrita para Helen Shapiro, uma estrela teen britânica, porém, seu produtor, Norrie Paramor, recusou.

“Ask Me Why”
Lançada como lado B de “Please, Please Me”, foi escrita na primavera de 1962 e tem John como principal compositor. Foi uma das quarto músicas que os Beatles levaram para a primeira sessão de gravação em 6 de junho do mesmo ano, nos estúdios da EMI em Abbey Road, mas George Martin não achou que a canção fosse boa o bastante para se tornar o single de estréia.

“Please, Please Me”
Alguns críticos enxergavam a música como um pedido de igualdade no prazer sexual. O editor do Village Voice, de Nova York, deu ênfase à polêmica dizendo que ela falava sobre sexo oral. Anos depois, Paul comentou: “Se eles quisessem, poderiam ter encontrado diversos duplos sentidos no começo do nosso trabalho. E quanto a 'I'll Keep You Satisfied' ou 'Please, Please Me'? Tudo pode ter duplo sentido, se você procurar o bastante”

“Love Me Do”
Foi o primeiro grande sucesso da banda na Inglaterra. No início da década de 1960, Bruce Channel alcançou o sucesso no Reino Unido com “Hey Baby”, que trazia um solo de gaita do músico de Nashville Delbert McClinton. Ele chamou a atenção de John e, quando eles se conheceram, o beatle pediu para que o músico o ensinasse a tocar.

“PS I Love You”
Composta em forma de carta, foi a percursora de outras canções no mesmo formato compostas por Paul, como “Paperback Writer” e “When I'm 64”. Dorothy Rhone (Dot), namorada de McCartney naquela época, achava que a canção havia sido escrita para ela, o que foi desmentido por ele mais tarde.

“Do You Want To Know A Secret?”
O segredo em questão era que John estava apaixonado. Da mesma forma que “Please, Please Me”, a gênese era uma música que sua mãe costumava cantar para ele, que, no caso, fora tirada do filme da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”, de 1937. Em uma das cenas, a Branca de Neve canta para os pombos: “Wanna know a secret? Promise not to tell? We are standing by a wishing well”.

“There's A Place”
Revelava sentimentos de isolamento e rejeição que se tornariam uma marca nas canções de John, ela apresentava o que se tornaria um tema recorrente: a busca por conforto em seus pensamentos, sonhos e memórias.

“Twist and Shout”
É um cover de uma música de Phil Medley and Burt Russell. Foi a última faixa a ser gravada porque Lennon ficou resfriado no dia da gravação. Martin temia que os vocais estragassem a qualidade da canção, já que a voz de John estava alterada.


Os jovens músicos ao lado do empresário Brian Epstein
Vale ressaltar mais duas curiosidades:

- O vinil original de “Please, Please Me” é o único álbum dos Beatles no qual as canções são creditadas como “McCartney-Lennon. Depois, todas as composições da dupla, são creditadas como “Lennon-McCartney”.
- “Please, Please Me” não foi lançado na América até que o catálogo dos Beatles fosse padronizado para CD, em 1987.





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